Governo federal analisa custos e impactos da conclusão ou abandono da obra da terceira unidade nuclear em Angra dos Reis, com decisão prevista para até junho.

O governo federal anunciou que até meio de 2026 deverá tomar uma decisão sobre a continuidade da construção da terceira unidade nuclear da usina de Angra dos Reis (Angra 3). A afirmação foi feita pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que coordena a governança das empresas estatais. A obra, iniciada na década de 1980, já passou por diversas interrupções ao longo de décadas e permanece inconclusa.
A obra de Angra 3 se tornou um ponto de debate interno no governo. O Ministério de Minas e Energia defende a conclusão do projeto, argumentando que a usina representa uma fonte adicional de energia firme e de baixo carbono para o sistema elétrico. Por outro lado, o Ministério da Fazenda ressalta os elevados custos financeiros envolvidos na conclusão da obra, questionando se o retorno energético justificaria o investimento adicional.
De acordo com estimativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a finalização da usina exigiria aproximadamente R$ 24 bilhões em investimentos adicionais. Caso o governo opte por descontinuar o projeto, o custo estimado para encerrar as obras, pagar penalidades e desmobilizar equipamentos varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
A decisão caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), formado por representantes do Executivo, que avaliará os aspectos técnicos, financeiros e estratégicos do contínuo envolvimento do Estado no desenvolvimento nuclear brasileiro. A escolha entre concluir ou abandonar Angra 3 poderá influenciar não apenas o futuro energético do país, mas também demonstrar prioridades em política energética e investimentos em longo prazo.
