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Escassez de combustível atinge Rússia após ataques ucranianos a refinarias

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Reprodução Euronews

A Ucrânia tem intensificado uma estratégia de ataques direcionados contra a infraestrutura industrial e econômica da Rússia, visando setores considerados cruciais para a máquina de guerra de Moscou. Essa política, que se manifesta como uma resposta direta à invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022, tem gerado consequências significativas, especialmente no setor de refino de petróleo. Os ataques recentes a instalações estratégicas resultaram em uma crescente escassez de combustível que se espalha por diversas regiões russas, impactando a economia e a logística do país.

A Estratégia Ucraniana e o Impacto nas Refinarias Russas

A ofensiva ucraniana contra alvos estratégicos russos foi reiterada pelo presidente Volodymyr Zelenskyy, que destacou a importância desses ataques. Após uma série de ações contra instalações em Moscou, incluindo a refinaria de Kapotnya, e em outras regiões como Rostov e territórios ocupados da Ucrânia, Zelenskyy afirmou que tais operações representam uma “resposta absolutamente justa” aos ataques russos. Ele enfatizou que essas ações são um “resultado importante do trabalho dos nossos soldados contra as instalações que abastecem a máquina militar russa”.

Os danos infligidos a instalações-chave, que resultaram em incêndios e na paralisação de linhas de produção, desencadearam perturbações em larga escala nas operações de refino e na cadeia logística. Essa interrupção levou a uma escassez de combustível que já afeta 53 regiões da Rússia. Entre as áreas impactadas estão grandes centros como Moscou e São Petersburgo, além da região do Volga, o Sul, a Sibéria, e os territórios da Crimeia e outras partes temporariamente ocupadas da Ucrânia.

A Profundidade da Escassez de Combustível e Seus Efeitos

A magnitude desses acontecimentos é corroborada por análises de agências internacionais e inteligência de fontes abertas (OSINT), bem como por relatos de fontes russas, incluindo canais de Telegram de autoridades regionais e organismos setoriais. Agências internacionais registraram a maior queda na capacidade de refino russa desde o início do conflito. A agência Reuters, por exemplo, noticiou que, no final de maio, a maioria das grandes refinarias na Rússia central foi forçada a reduzir ou suspender sua produção.

Estimativas da Bloomberg indicam uma queda de 13% nos volumes de refino em maio, o que corresponde a aproximadamente 700 mil barris por dia. A Agência Internacional de Energia (AIE) confirmou perdas na refinação primária de cerca de 500 mil barris por dia. Em consequência direta dessa escassez de combustível, os preços do querosene de aviação sofreram um aumento acentuado de 41% desde o início do ano, com a maior parte desse incremento concentrada em meados de maio. Aeroportos russos começaram a implementar o racionamento no reabastecimento de aeronaves, um claro indicativo de uma falha sistêmica no abastecimento.

Restrições de Venda e a Reação do Mercado

A implementação de restrições na venda de combustível na Rússia assumiu uma dimensão federal, com diversas formas de limitação em vigor em dezenas de regiões. Isso inclui as maiores aglomerações urbanas, como Moscou e sua região metropolitana, São Petersburgo, e áreas fronteiriças e do sul, como Kursk, Belgorod, Rostov e Samara. No total, as restrições afetaram pelo menos sete mil postos de abastecimento, de um total de quase 29 mil em todo o país.

A Reuters documentou que, em um posto de uma empresa no distrito de Serpukhov, as vendas foram limitadas a 20 litros de gasolina ou 40 litros de diesel, com pagamentos aceitos apenas em dinheiro. As maiores redes de postos de abastecimento, temendo compras por pânico e o rápido esgotamento das reservas, começaram a reduzir artificialmente os volumes de vendas e a impor seus próprios limites. Essa medida, embora visando a estabilização, acabou por reforçar a percepção de escassez de combustível. Grandes players do mercado, como a Tatneft, que opera mais de 850 postos, impuseram restrições uniformes de 30 litros de gasolina ou 60 litros de diesel por abastecimento, com muitos postos aceitando apenas dinheiro.

Outras gigantes como Rosneft, Bashneft e TNK, que controlam cerca de três mil postos, proibiram a venda de combustível em galões e limitaram o abastecimento a noventa litros por veículo. Lukoil e Teboil estabeleceram um limite de 100 litros por recibo, enquanto a rede Neftemagistral proibiu o abastecimento de mais de 20 litros em galões. Formalmente, essas ações são justificadas como medidas para estabilizar o mercado, mas na prática, elas apenas sublinham a gravidade da escassez de combustível que assola o país.

Situação Crítica na Crimeia e Territórios Ocupados

A Crimeia emergiu como uma das regiões mais vulneráveis diante da escassez de combustível. Seu isolamento logístico e a dependência de suprimentos vindos do continente russo agravaram a situação. Segundo dados da Agentstvo, a venda livre de gasolina na península praticamente desapareceu. Na maioria dos postos de abastecimento, o combustível de alta octanagem é vendido apenas mediante cupons especiais e códigos QR, resultando em filas que se estendem por quilômetros. As forças armadas e os serviços públicos recebem prioridade no abastecimento, evidenciando a gravidade da crise.

Canais OSINT reportam atrasos regulares nas colunas de combustível na ponte da Crimeia, além de interrupções no fornecimento de querosene de aviação para os aeroportos de Simferopol e Dzhankoy. Isso tem causado atrasos em voos e uma redistribuição forçada das reservas entre os aeroportos. Nos territórios ocupados da Ucrânia, a situação é ainda mais precária. Na região de Donetsk, muitos postos de abastecimento operam apenas por algumas horas diárias, e em diversas localidades, o combustível está completamente esgotado. Regiões como Luhansk, Zaporíjia e Kherson também enfrentam um limite de 20 litros por abastecimento, refletindo a profunda crise de abastecimento que se espalha por essas áreas.

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