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França e Espanha rejeitam centros de retorno para migrantes fora da União Europeia

França e Espanha contestam centros de retorno ineficazes para migrantes
Reprodução Euronews

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, manifestaram uma oposição contundente à criação de centros de retorno para migrantes em países terceiros. A posição dos dois líderes coloca Paris e Madrid em rota de colisão com uma coligação crescente de 19 Estados-membros da União Europeia que defendem a externalização do processamento de pedidos de asilo recusados.

migração: cenário e impactos

Durante a cimeira realizada em Bruxelas, na sexta-feira, 19 de junho de 2026, a maioria dos líderes do bloco assinou uma declaração conjunta incentivando a implementação de uma nova legislação europeia. Esta norma permite a construção de infraestruturas fora do território da União para acolher indivíduos que não obtiveram autorização de permanência, uma estratégia impulsionada principalmente por países como Itália e Dinamarca.

Divergências sobre eficácia e valores humanitários

Para Emmanuel Macron, a proposta de transferir migrantes para nações onde nunca estiveram carece de viabilidade prática e ética. O presidente francês questionou a eficácia dos modelos atuais, citando o exemplo italiano com instalações na Albânia, que, segundo ele, não atingiram os objetivos estabelecidos. Macron enfatizou que a França não apoiará o uso de fundos comunitários para financiar tais campos, argumentando que a medida desvirtua os princípios fundamentais do projeto europeu.

O líder francês ironizou o uso do termo “soluções inovadoras” por parte dos defensores da medida. Ele ressaltou que, embora seja um entusiasta da inovação em tecnologia e economia, mantém cautela extrema quando o conceito é aplicado a direitos humanos e valores democráticos. Para o governo francês, a prioridade deve ser a eficácia das políticas de retorno, mas sem recorrer a estratégias que considera ineficazes e moralmente questionáveis.

Impacto nas relações externas e recursos financeiros

Pedro Sánchez reforçou as críticas, classificando a criação de centros de deportação como uma medida “inútil” e “absolutamente ineficaz”. O chefe do governo espanhol alertou que a política não apenas desperdiça recursos financeiros limitados da União Europeia, mas também prejudica a diplomacia com nações africanas. Segundo Sánchez, a externalização envia uma mensagem negativa aos países de origem e trânsito, dificultando a cooperação necessária para gerir fluxos migratórios de forma sustentável.

A preocupação com a credibilidade da União Europeia no continente africano foi um ponto central do debate. Macron questionou como o bloco poderia manter a sua influência e parcerias estratégicas se optasse por financiar centros de retorno em território estrangeiro em vez de investir no desenvolvimento dessas regiões. Ambos os líderes reafirmaram que a gestão da imigração irregular exige abordagens que respeitem a dignidade humana e a estabilidade das relações internacionais.

Para mais informações sobre o cenário político europeu, consulte a Euronews, que acompanha os desdobramentos das políticas de asilo e migração no bloco.

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