A Europa atravessa uma fase de calor extremo, com temperaturas que ameaçam atingir os 45 °C em diversas regiões. Esta segunda onda de calor em menos de um mês forçou autoridades de vários países a implementar medidas emergenciais, incluindo o fechamento de instituições de ensino, a proibição de consumo de álcool em espaços públicos e a redução drástica na circulação de trens para evitar danos à infraestrutura ferroviária.
Impacto nas rotinas escolares e medidas de proteção
Em território francês, a situação levou ao fechamento de 845 escolas apenas na segunda-feira, dia 22 de junho de 2026, enquanto outras 1 800 instituições adotaram horários reduzidos. O ministro da Educação, Édouard Geffray, lidera esforços para adaptar o calendário de exames, visando proteger estudantes das horas de maior incidência solar. Paralelamente, a região da Île-de-France destinou 1 milhão de euros para equipar centros de exames com sistemas de ventilação e pulverização de água.
No Reino Unido, embora não existam ordens de fechamento generalizado, escolas flexibilizaram o uso de uniformes. O Comité das Alterações Climáticas (CCC) defende a instalação de sistemas de ar condicionado em todas as unidades escolares nas próximas duas décadas, apesar do dilema ambiental que o uso desses aparelhos representa devido à emissão de gases poluentes.
Riscos à infraestrutura ferroviária e mobilidade
O calor intenso compromete a segurança dos transportes, forçando operadoras em Paris e na Bélgica a reduzir o número de viagens. A medida visa mitigar o risco de deformação dos trilhos, incêndios em taludes e falhas nos cabos de alimentação elétrica. Na Île-de-France, Valérie Pécresse recomendou o teletrabalho e desaconselhou deslocamentos que não sejam estritamente necessários.
Operadoras britânicas, como a Great Western Railway (GWR), também ajustaram seus cronogramas. A dilatação dos trilhos sob temperaturas extremas obriga a circulação de trens em velocidades reduzidas, garantindo a integridade dos passageiros e dos equipamentos diante da expansão térmica dos metais.
Saúde pública e o desafio das mudanças climáticas
Especialistas alertam que a base deste cenário extremo reside nas mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Akshay Deoras, investigador do National Centre for Atmospheric Science, destaca que a atmosfera está sobrecarregada com calor extra, intensificando eventos que antes eram considerados raros. Dados indicam que mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Europa em 2024, um número que tende a crescer.
Para mitigar riscos, eventos como a Fête de la Musique tiveram o consumo de álcool proibido em zonas de alerta vermelho, visando prevenir a desidratação. Autoridades também reforçaram alertas sobre o perigo de choque térmico em rios e lagos, recomendando que a entrada na água seja feita de forma gradual para permitir a adaptação do corpo. Mais informações sobre o monitoramento climático podem ser acompanhadas pelo portal da Euronews.