A presidente da Petrobras, Magda, expressou nesta terça-feira (23) a visão da estatal para o futuro do Rio de Janeiro, defendendo o direito de sonhar com a instalação de um complexo petroquímico no estado. A iniciativa seria centrada no Polo Boaventura, uma área onde a Petrobras já concentra atividades de processamento de gás natural e planeja a construção de termelétricas. A proposta busca integrar as operações da companhia com a Braskem, visando o desenvolvimento de indústrias de plástico no entorno.
Paralelamente a essa projeção de crescimento e investimento, Magda também aproveitou a ocasião para reiterar a posição da Petrobras contra o programa de desconcentração do setor de gás natural, conhecido como Gas Release. O programa, atualmente em fase de estudos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), tem previsão de consulta pública e implementação nos próximos anos, impactando diretamente a Petrobras, que é a maior produtora de gás do país.
Visão para um futuro petroquímico no Rio de Janeiro
A Petrobras vislumbra a criação de um complexo petroquímico robusto no Rio de Janeiro, com o Polo Boaventura atuando como seu epicentro. A ideia é aproveitar a infraestrutura existente e os planos de expansão para o processamento de gás natural, integrando-o com a produção de eteno da Braskem. Essa sinergia poderia atrair e fidelizar indústrias de transformação, impulsionando a fabricação local de diversos produtos plásticos.
A presidente Magda destacou o potencial para a produção de itens como tubos e conexões, garrafas PET e peças plásticas para automóveis, tudo dentro de um ecossistema industrial integrado. Essa proposta ecoa, em certa medida, o conceito do antigo Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Após um período de paralisação devido a desafios setoriais e questões de corrupção, o Comperj foi reestruturado para focar primordialmente no processamento de gás natural, pavimentando o caminho para novas oportunidades.
O Polo Boaventura como eixo central de desenvolvimento
O Polo Boaventura é estratégico para os planos da Petrobras no Rio de Janeiro. Além de suas atividades atuais de processamento de gás natural, a estatal pretende instalar termelétricas na região, consolidando-o como um hub energético. A visão é que o gás processado não apenas melhore o refino no estado, mas também seja direcionado para a Braskem local, garantindo um destino final para a matéria-prima e incentivando a cadeia produtiva.
A integração vertical e horizontal proposta busca maximizar o valor agregado do gás natural produzido, transformando-o em produtos de maior valor para o mercado. Este modelo de desenvolvimento visa fortalecer a indústria fluminense, gerando empregos e estimulando a economia local através da diversificação da produção industrial.
Petrobras expressa ressalvas ao programa Gas Release
Durante seu discurso na divulgação do Anuário do Petróleo no Rio 2026, da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), a presidente da Petrobras abordou a contrariedade da empresa ao programa Gas Release. Este programa, que está sendo estudado pela ANP, tem como objetivo a desconcentração do mercado de gás natural no Brasil. A agência reguladora planeja abrir uma consulta pública sobre o tema entre outubro e novembro, com a implementação prevista para 2027.
A Petrobras, sendo a maior produtora de gás do país, seria a principal afetada pelas mudanças propostas pelo Gas Release. A estatal argumenta que as medidas podem não resultar na redução esperada dos preços do gás e que o foco deveria estar em aumentar a oferta e a produção.
Argumentos da Petrobras para a oferta e preço do gás
Magda enfatizou que a Petrobras dobrou a quantidade de gás ofertada ao mercado brasileiro, um esforço que, segundo ela, foi crucial para viabilizar o retorno de fábricas de fertilizantes. A presidente defendeu que a lei da oferta e da procura continua válida e que a simples mudança de mãos do gás não é suficiente para reduzir seu preço ao consumidor final ou à indústria.
A Petrobras sustenta que a verdadeira solução para a redução dos preços do gás reside em trabalho contínuo, investimentos significativos em infraestrutura e exploração, e o desenvolvimento de novos projetos que efetivamente aumentem a produção e a oferta no mercado. A empresa reitera que não pode haver aumento sustentável da procura sem um correspondente aumento da produção, e é nesse sentido que seus esforços estão concentrados. Para mais informações sobre a regulação do setor de gás, pode-se consultar o site da ANP.
Fonte: agenciainfra.com