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Portugal atrai ultrarricos: país registra 725 novas fortunas em cinco anos

Portugal ganhou 725 ultrarricos em cinco anos. Quem são e porque escolheram este país?
Portugal ganhou 725 ultrarricos em cinco anos. Quem são e porque escolheram este país?

Portugal tem se consolidado como um destino de crescente interesse para indivíduos de alto patrimônio líquido, atraindo um número significativo de ultrarricos nos últimos cinco anos. Este fenômeno, impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e sociais, reflete a capacidade do país em oferecer um ambiente propício para investimento e qualidade de vida. O aumento de 725 novas fortunas, totalizando mais de dois mil ultrarricos, posiciona Portugal como um ponto estratégico no mapa global da riqueza.

A atratividade do país não se deve apenas ao seu clima e segurança, mas também a um conjunto de políticas e dinâmicas de mercado que favoreceram a chegada e a consolidação de grandes patrimônios. A compreensão dos perfis desses investidores e dos mecanismos que impulsionam essa migração de capital é fundamental para analisar as tendências econômicas e sociais de Portugal.

A Ascensão dos Ultrarricos em Portugal: Um Fenômeno de Crescimento

Nos últimos cinco anos, Portugal testemunhou um crescimento notável no número de ultrarricos, definidos como indivíduos com patrimônio líquido superior a 25 milhões de euros. Dados do Índice Imobiliário Internacional (PIRI) da consultoria britânica Knight Frank, divulgados em abril, revelam que o contingente de ultrarricos no país saltou de 1.462 em 2021 para uma estimativa de 2.187 em 2026, representando um aumento de quase 50%.

Este expressivo incremento sublinha a transformação do cenário econômico português e sua crescente relevância para a mobilidade internacional de capitais. O crescimento não é apenas um indicador de prosperidade, mas também um reflexo da dinâmica de investimento e da atratividade do estilo de vida português, apontando para uma tendência contínua, mesmo diante de mudanças regulatórias.

Fatores de Atração: Qualidade de Vida e Incentivos Fiscais

A escolha de Portugal por parte dos ultrarricos é multifacetada, englobando desde a reconhecida qualidade de vida, o clima ameno e a segurança, até um estilo de vida que combina tradição e modernidade. Historicamente, o país também se destacou pelos seus incentivos fiscais, como os programas de Vistos Gold e o regime de Residente Não Habitual (RNH), que desempenharam um papel crucial na atração de profissionais qualificados e pensionistas estrangeiros.

Contudo, o panorama regulatório tem evoluído. O regime RNH, criado em 2009 para conceder benefícios fiscais por dez anos, agora se aplica apenas a atividades científicas e de alta qualificação. Da mesma forma, a aquisição de imóveis deixou de ser uma via elegível para a obtenção de autorização de residência através dos Vistos Gold. Apesar dessas alterações, o estudo da Knight Frank indica que, embora possam atenuar a procura internacional, não a comprometem fundamentalmente.

O Perfil dos Investidores: Estrangeiros e Empresários Nacionais

Embora uma parte significativa dos ultrarricos seja composta por estrangeiros que optaram por Portugal para viver ou investir, o grupo também inclui um número considerável de portugueses, predominantemente empresários. Para esses indivíduos com patrimônio superior a 25 milhões de euros, as principais preocupações giram em torno da proteção do patrimônio, da fiscalidade e da sucessão, conforme destacado por Helena Seruca, diretora coordenadora de Banca Privada do Banco Carregosa.

O Banco Carregosa, especializado em gestão de patrimônio, observa que seu perfil de cliente predominante são empresários portugueses das regiões norte e centro, atuantes em setores industriais como calçado, têxtil, vidro, plástico e madeira, além de novas tecnologias e serviços. Esta diversidade de origens e setores reflete a robustez da economia portuguesa e a capacidade de seus empreendedores em gerar riqueza.

O Papel do Private Equity e a Geração de Nova Riqueza

O período pós-pandemia revelou-se um catalisador para a criação de nova riqueza, especialmente através da venda de empresas. Helena Seruca aponta que a entrada massiva de fundos de capital de risco no mercado português permitiu que muitos empresários passassem a dispor de volumes financeiros muito significativos. Os fundos de private equity, que investem em empresas não cotadas com o objetivo de aumentar seu valor a médio e longo prazo, têm sido um motor fundamental para o aumento dos ultrarricos em Portugal.

Bruno Minoya Perez, diretor de Private Banking do Banco Carregosa, explica que um negócio de private equity envolve a tomada de posição em uma empresa por meio de um fundo de capital de risco, com ou sem intervenção na gestão. Muitos empresários vendem participações para financiar a expansão de seus negócios ou para entrar em novos mercados, evitando o uso de capital próprio. O envelhecimento dos proprietários também tem impulsionado a venda integral de empresas, com propostas atrativas que levam à liquidação de negócios.

Perez exemplifica com o caso de uma empresa de panificação do centro do país, adquirida por um grande grupo francês, que gerou 100 milhões de euros para o empresário. Processos semelhantes são observados em setores como agências funerárias e escritórios de advogados, onde grupos maiores adquirem operadores menores para consolidar sua quota de mercado, demonstrando a diversidade de oportunidades que impulsionam a formação de grandes fortunas no país.

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