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Orgulho Budapeste celebra retorno da Marcha LGBT em meio a calor extremo

As ambulâncias também estão de prevenção devido ao calor Kónya Rita/Euronews
As ambulâncias também estão de prevenção devido ao calor Kónya Rita/Euronews

A capital húngara, Budapeste, foi palco de um evento significativo que marcou o retorno da Marcha LGBT, a primeira a ser realizada na era “pós-Orbán”. O acontecimento, que desafiou tentativas de proibição em anos anteriores, ocorreu em meio a uma intensa onda de calor, com temperaturas atingindo entre 37 e 38 graus Celsius, adicionando um elemento de resiliência à celebração da liberdade e dos direitos.

O Orgulho Budapeste e a Celebração da Liberdade

A marcha deste ano foi um espetáculo vibrante, liderada por dezesseis caminhões musicais equipados com altifalantes, onde participantes dançavam energicamente. Ao longo do percurso, manifestantes agitavam bandeiras arco-íris, simbolizando a diversidade e a inclusão. Um momento de destaque foi a exibição de uma bandeira da União Europeia sobre a faixa de rodagem em frente ao edifício da Ópera e uma imensa bandeira arco-íris estendida pela Avenida Andrássy, cobrindo a estrada.

Os organizadores, através da página de Facebook do Pride, relembraram a edição anterior, destacando a força da comunidade. “No ano passado mostrámos a nossa força. Pelo menos 350 mil pessoas marcharam na ‘proibida’ trigésima Marcha Budapest Pride, a Marcha da Liberdade. O poder fez tudo para nos intimidar e afastar, chegou a ameaçar-nos com pena de prisão, mas não recuámos”, afirmaram. Eles enfatizaram que o amor pela liberdade e a coragem dos participantes forçaram o recuo do autoritarismo, mas alertaram que a luta continua enquanto houver comunidades privadas de direitos na Hungria.

Apoio Internacional e Diálogo Político

O evento ganhou ainda mais relevância com o encontro bilateral entre Gergely Karácsony, presidente da câmara de Budapeste, e Hadja Lahbib, comissária da União Europeia responsável pela Igualdade e pela Ajuda Humanitária. Lahbib sublinhou o apoio massivo à edição deste ano do Pride, com a participação de centenas de milhares de pessoas de 36 países. A comissária elogiou a coragem do autarca de Budapeste por ter apoiado a marcha no ano anterior, apesar das proibições, e por defender firmemente os direitos das minorias na Hungria.

Lahbib também anunciou um aumento significativo no apoio financeiro, com verbas orçamentais duplicadas a partir do próximo ano, destinadas a fortalecer a construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática. Por sua vez, Gergely Karácsony destacou o papel de Budapeste na vanguarda da luta social pela aceitação e por uma Hungria mais coesa e justa. Ele mencionou que a marcha do ano passado já havia catalisado mudanças, como a conclusão da Comissão Europeia, em abril, de que algumas medidas governamentais anteriores, que apresentavam a comunidade LGBT sob uma luz negativa, eram incompatíveis com o direito da União Europeia.

Desafios e Incidentes Paralelos

Apesar do clima festivo, a organização teve que lidar com as condições climáticas extremas. Para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes, foram disponibilizadas mais ambulâncias e pontos de distribuição de água ao longo do percurso.

Em um desdobramento positivo para o autarca, Karácsony informou que o tribunal arquivou o processo penal que havia sido instaurado contra ele após a marcha do ano passado, no qual era acusado de violar a liberdade de associação e de reunião. Contudo, nem todos os incidentes foram de celebração. A Direção da Polícia de Budapeste abriu um inquérito por suspeita de crime de dano contra quatro jovens que, na noite anterior à marcha, atiraram bandeiras arco-íris da ponte Erzsébet para o Danúbio. A polícia agiu rapidamente, detendo os indivíduos em poucos minutos e instaurando o processo. Para mais informações sobre eventos na Europa, consulte Euronews.

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