O Reino Unido e a França anunciaram a extensão do controverso acordo migratório conhecido como “one in, one out” até 1 de outubro de 2026. A decisão, comunicada por um ministro francês, visa intensificar os esforços conjuntos para combater a migração ilegal através do Canal da Mancha, uma rota marítima cada vez mais utilizada por pessoas que buscam chegar ao território britânico.
Desde a sua implementação em setembro de 2025, a política tem gerado debates sobre a sua eficácia, especialmente considerando o crescente número de travessias ilegais e a percentagem relativamente baixa de migrantes devolvidos à França. A renovação do pacto sublinha a complexidade e a persistência dos desafios migratórios que ambos os países enfrentam.
O Mecanismo “One In, One Out”: Detalhes e Implementação
O acordo, formalmente conhecido como Operação Hillmore, estabelece um mecanismo de troca de migrantes entre as duas nações. Por um lado, o Reino Unido obtém a capacidade de readmitir na França indivíduos que chegam ilegalmente em pequenas embarcações e que são considerados sem direito a permanecer em solo britânico.
Em contrapartida, o Reino Unido compromete-se a aceitar um número equivalente de requerentes de asilo provenientes da França. Estes indivíduos são selecionados com base na sua alta probabilidade de obter proteção internacional, com prioridade dada a nacionalidades vulneráveis e àqueles que possuem laços familiares ou outras conexões significativas com o Reino Unido.
Dados divulgados pelo ministro delegado para a Europa de França, Benjamin Haddad, a uma comissão parlamentar, revelaram que até 1 de maio, 606 migrantes foram readmitidos em França sob o mecanismo, enquanto 588 pessoas foram transferidas legalmente de França para o Reino Unido. Estes números refletem o balanço da operação até o momento da declaração.
Desafios e Números da Travessia no Canal
Apesar dos esforços conjuntos, o fluxo de migrantes através do Canal da Mancha continua a ser um desafio significativo. Estatísticas do Ministério do Interior britânico indicam que 16.910 pessoas chegaram ao Reino Unido em pequenas embarcações entre 1 de setembro de 2025 e 31 de março de 2026. Dentro deste período, apenas cerca de 3,5% das chegadas foram devolvidas à França sob a nova política.
Estes números fornecem uma das indicações mais claras da escala do programa e levantam questões sobre a sua capacidade de atuar como um dissuasor eficaz contra as redes de passadores. A França tem sido historicamente um ponto de partida crucial para migrantes que buscam alcançar o Reino Unido, muitas vezes pagando grandes somas a traficantes para realizar a perigosa travessia em botes superlotados.
A rota do Canal da Mancha é uma das mais movimentadas do mundo, tornando a travessia extremamente arriscada. Em 2025, mais de 41.000 migrantes chegaram à costa sul da Inglaterra, marcando o segundo total anual mais elevado desde o início dos registos em 2018. No total, aproximadamente 197.000 pessoas atravessaram o Canal em pequenas embarcações desde que esta rota se tornou uma das principais vias de migração.
Novas Medidas e Pressão Política
Em resposta à persistência do problema, o Reino Unido anunciou uma série de novas medidas para conter a imigração ilegal. Um projeto de lei sobre Imigração e Asilo, apresentado no mês passado, propõe reduzir em 50% o período de permanência de requerentes de asilo no país e acelerar a expulsão de indivíduos cujos países de origem são considerados seguros.
A questão migratória continua a ser um desafio político de grande envergadura para o governo do primeiro-ministro Keir Starmer, que assumiu o cargo em julho de 2024. Tanto Starmer quanto a ministra do Interior, Shabana Mahmood, enfrentam uma pressão crescente para reduzir o número de chegadas, especialmente com o partido anti-imigração Reform UK a obter resultados favoráveis nas sondagens. A extensão do acordo migratório reflete a contínua busca por soluções em um cenário político e social complexo.
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