Afuá: a cidade das bicicletas no coração do Marajó
No delta do rio Amazonas, uma localidade desafia a lógica urbana convencional ao eliminar completamente o uso de veículos automotores. Afuá, situada no arquipélago do Marajó e acessível por uma viagem de duas horas de lancha a partir de Macapá, destaca-se como um refúgio onde o silêncio e a sustentabilidade substituem o ruído dos motores e a poluição atmosférica.
Os principais pontos sobre afua
A ausência de carros, ônibus e motocicletas não apenas eliminou os riscos de atropelamentos e acidentes de trânsito, mas também transformou a dinâmica social da cidade. Com uma população de aproximadamente 40 mil habitantes, dividida entre a zona urbana e as margens das ilhas vizinhas, a bicicleta tornou-se o principal meio de transporte para todas as faixas etárias, contando com infraestrutura dedicada como ciclofaixas e áreas de estacionamento.
Economia local e tradição cultural
A subsistência em Afuá é sustentada por uma base diversificada que inclui a pecuária, o extrativismo, a pesca e a captura do camarão regional. Esse pilar econômico é complementado por um comércio local vibrante e um setor de turismo ecológico e cultural que ganha tração a cada temporada. Eventos como o tradicional Festival do Camarão, além das festas juninas e celebrações religiosas, consolidam o município como um destino relevante para o turismo de aventura.
A origem do nome da cidade é objeto de debate entre historiadores e moradores locais. Uma das teorias mais difundidas sugere que a denominação deriva do som emitido pelos botos ao emergirem para respirar, um ruído que os povos indígenas da região interpretavam como “afu”. Independentemente da etimologia, a identidade da cidade permanece intrinsecamente ligada à sua geografia singular.
Gestão urbana em um ambiente alagado
O ex-prefeito Mazinho Salomão destaca que a peculiaridade de Afuá, sendo uma cidade totalmente alagada durante o ano, exige soluções criativas de gestão. A maioria das construções é erguida em madeira, adaptando-se ao terreno. O manejo de resíduos é um ponto crítico: enquanto o material reciclável é transportado para Macapá, o lixo orgânico passa por um processo de incineração em áreas remotas, contornando a impossibilidade de aterros sanitários no solo local.
A logística de abastecimento também reflete a natureza aquática da região. O único posto de combustível da cidade opera como um flutuante ancorado na orla, atendendo diariamente a uma frota diversificada de embarcações. Esse sistema, aliado a serviços essenciais como ambulâncias adaptadas e bicitáxis, garante que a cidade mantenha seu ritmo de progresso sem sacrificar as características históricas que a tornam um destino único na Amazônia.
Para mais informações sobre o turismo na região, consulte o portal A Província do Pará.
Fonte: aprovinciadopara.com.br