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Almaraz: Espanha estende operação de central nuclear até 2030 em meio a debate energético

Almaraz: Espanha estende operação de central nuclear até 2030 em meio a debate energético
Wikimedia Commons

A decisão de prolongar o funcionamento da central nuclear de Almaraz, localizada na Extremadura, Espanha, até 2030, foi oficialmente confirmada pelo governo espanhol. Esta medida, publicada no Boletim Oficial do Estado (BOE), representa uma alteração significativa no calendário de desativação previamente estabelecido e surge em um cenário complexo de debates sobre segurança energética, impacto socioeconômico e pressões políticas, tanto a nível nacional quanto europeu. A prorrogação é particularmente relevante para a região da Extremadura, onde a central é uma fonte vital de emprego, sustentando cerca de quatro mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Decisão Governamental e o Novo Cronograma para Almaraz

O governo de Pedro Sánchez anunciou a extensão da licença de operação da central nuclear de Almaraz até 8 de junho de 2030. Esta decisão atende a um pedido formal das empresas proprietárias da instalação, feito no outono anterior, e adia em três anos o encerramento originalmente previsto para os dois reatores da central. A Ordem Ministerial do Ministério para a Transição Ecológica formalizou a medida, que agora redefine o futuro de uma das infraestruturas energéticas mais importantes da Espanha.

Historicamente, Almaraz detém o recorde de maior produtora de eletricidade na Espanha e, atualmente, contribui com aproximadamente 7% da produção elétrica nacional. O plano inicial, acordado em 2019 entre o governo e as empresas do setor, previa o encerramento da Unidade 1 em novembro de 2027 e da Unidade 2 em outubro de 2028, como parte de um desligamento nuclear progressivo em todo o país.

O Contexto do Debate Energético e o Apagão de 2025

A discussão sobre a necessidade de manter as centrais nucleares em operação ganhou força após um apagão que afetou a Península Ibérica em abril de 2025. Este evento reacendeu o debate sobre a segurança e a resiliência do sistema elétrico, colocando a energia nuclear novamente no centro das atenções como um pilar para a garantia de abastecimento. O acordo de 2019, estabelecido em um contexto de coligação governamental que incluía partidos como Podemos e Sumar – que defendiam o encerramento imediato de todas as centrais –, visava a um apagão nuclear completo dos sete reatores espanhóis até 2035.

O cronograma original estipulava o desligamento de Almaraz I em 2027, Almaraz II em 2028, seguido por Ascó I e Cofrentes em 2030, Ascó II em 2032, e Vandellós II e Trillo em 2035. No entanto, a evolução do cenário energético e as novas demandas levaram as empresas proprietárias de Almaraz a solicitar formalmente a prorrogação de três anos, culminando na decisão governamental.

Pressões Europeias e a Posição do Parlamento

A decisão do Executivo espanhol também foi influenciada por uma crescente pressão a nível europeu. Em fevereiro de 2026, uma delegação de dez eurodeputados, liderada por Bogdan Rzońca, presidente da Comissão das Petições do Parlamento Europeu, visitou as instalações de Almaraz. A visita foi uma resposta a uma petição cidadã que se opunha ao encerramento da central, subscrita por trabalhadores, autarquias, residentes, agricultores e associações da região.

Rzońca criticou a intenção de encerramento, classificando-a como uma “questão ideológica” para o governo espanhol e destacando a oposição de mais de 10 mil residentes locais. Ele alertou para uma desconexão entre as esferas de poder local e nacional. Em maio de 2026, a Comissão das Petições aprovou um relatório que instava o governo espanhol a reconsiderar o calendário de encerramento, argumentando que a decisão original respondia a “razões meramente políticas e ideológicas, sem base técnica suficiente”. O relatório também alertava para as graves consequências econômicas, sociais e energéticas para a região e para o sistema elétrico espanhol. A eurodeputada do PP, Elena Nevado, reforçou a falta de uma avaliação de impacto integral e o papel da central na garantia de cerca de 4.000 empregos. A posição do Parlamento Europeu alinhava-se com a da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tem defendido a manutenção das centrais nucleares em operação.

Avaliação Técnica e Requisitos de Segurança

Um fator determinante para a prorrogação foi o relatório favorável emitido pelo Conselho de Segurança Nuclear (CSN) em 16 de julho. O órgão regulador concluiu que a central de Almaraz atende a todas as condições de segurança nuclear necessárias para operar até 2030. Além disso, a instalação cumpre os requisitos estabelecidos pelo Ministério para a Transição Ecológica, que incluem a garantia de abastecimento e a manutenção de um custo zero para os consumidores.

Este parecer técnico do CSN eliminou o principal argumento que o governo poderia ter utilizado para manter o cronograma de encerramento original, transformando a decisão em uma questão predominantemente política. A central de Almaraz tem uma “gêmea” na Virgínia, Estados Unidos, a North Anna, que já foi autorizada a operar por até 80 anos, servindo como um precedente para a viabilidade de longos períodos de funcionamento. Para mais informações sobre a política energética espanhola, consulte o Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico.

Repercussão Local e Perspectivas Futuras

A notícia da prorrogação foi recebida com grande satisfação pela plataforma cidadã “Sí a Almaraz, Sí al futuro”, que desde sua criação em janeiro de 2025, tem mobilizado mais de uma centena de municípios, organizações empresariais e câmaras de comércio da região. A decisão do governo espanhol reflete um equilíbrio entre os compromissos de descarbonização e a necessidade de garantir a segurança energética e a estabilidade socioeconômica de regiões dependentes da infraestrutura nuclear. O futuro da energia nuclear na Espanha, e em particular o de Almaraz, continua a ser um tema central no planejamento energético do país.

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