A ativista política e feminista Amelinha Teles faleceu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Figura central na luta pela memória e justiça no Brasil, ela dedicou décadas de sua vida ao enfrentamento das violações de direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura militar, entre 1964 e 1985.
Trajetória de resistência e enfrentamento à ditadura
A militância de Amelinha Teles foi marcada por um episódio traumático em 28 de dezembro de 1972, quando foi presa e levada à Operação Bandeirantes (Oban). No local, foi submetida a sessões de tortura sob o comando do major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então chefe do DOI-Codi de São Paulo.
O impacto da repressão atingiu toda a sua família. Seu marido, César Augusto Teles, e o companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli também foram detidos no mesmo órgão, onde Amelinha presenciou o assassinato de Danielli. Seus filhos, Edson e Janaína, na época com 4 e 5 anos, foram sequestrados e forçados a testemunhar a tortura dos pais.
Contribuições ao feminismo e aos direitos humanos
Além de sua atuação contra o regime militar, Amelinha Teles foi uma voz ativa no movimento feminista brasileiro. Na década de 1970, integrou o Jornal Brasil Mulher, publicação que se tornou referência na resistência política feminina. Como advogada, desempenhou um papel fundamental na implementação da Lei Maria da Penha e na formação de Promotoras Legais Populares.
Sua dedicação à pesquisa histórica também foi notável. Ela colaborou com a iniciativa coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre a responsabilidade de empresas em violações de direitos humanos durante a ditadura. Recentemente, participou do podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), discutindo os impactos do regime de exceção.
O imperativo da memória na democracia
Para Amelinha Teles, a superação do passado ditatorial não deveria ocorrer pelo esquecimento, mas pela compreensão crítica dos fatos. Ela defendia que o presente permanece ameaçado enquanto os fantasmas do passado não forem devidamente enfrentados e lidos pela sociedade brasileira.
A Rede de Desenvolvimento Humano prestou homenagem à ativista, destacando que sua capacidade de transformar a dor em luta continuará inspirando novas gerações. A morte de Amelinha é sentida como uma perda coletiva para a construção dos valores democráticos no país, deixando um vazio naqueles que buscam recuperar a liberdade de pensamento e a expansão de ideias.
Fonte: correiodecarajas.com.br