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ANP altera regimento interno e amplia poderes administrativos do diretor-geral

três votos a dois, uma série de alterações no regimento interno da reguladora. D
Reprodução Agenciainfra

A diretoria colegiada da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou, em reunião realizada nesta sexta-feira (24), uma reforma significativa em seu regimento interno. A decisão, tomada por um placar apertado de três votos a dois, altera profundamente a dinâmica de governança da autarquia, concentrando atribuições administrativas na figura da autoridade máxima da instituição.

A medida ocorre em um momento de intensa atividade para o setor de energia no Brasil, refletindo debates sobre a eficiência administrativa versus a descentralização decisória. O resultado da votação expôs uma divisão interna clara sobre os rumos da gestão da agência, que é responsável por regular um dos setores mais estratégicos da economia nacional.

ANP e a centralização administrativa no diretor-geral

O novo regimento estabelece que o diretor-geral, Artur Watt, passará a deter competências que antes eram distribuídas ou dependiam de maior consenso entre os membros do colegiado. Entre as principais mudanças está a prerrogativa de designar ocupantes de cargos comissionados e autorizar viagens oficiais, pontos que geraram discussões acaloradas durante a deliberação.

Além disso, a reforma extingue a figura do diretor de referência. Anteriormente, esse membro era designado para acompanhar temas específicos, servindo como um ponto focal técnico e político dentro da estrutura da ANP. Com a extinção dessa função, a coordenação dos processos administrativos e a pauta de futuras alterações regimentais tornam-se exclusividades da diretoria-geral.

Fim das transmissões e novas regras de transparência

Outro ponto de grande impacto aprovado na sessão desta sexta-feira diz respeito à publicidade dos atos administrativos. Pelas novas regras, as sessões de caráter estritamente administrativo não serão mais transmitidas ao público. Esse tipo de reunião é o fórum onde se decidem questões internas cruciais, como as próprias mudanças no regimento e a gestão de recursos humanos.

A partir de agora, as deliberações sobre esses processos ocorrerão de forma sigilosa, o que gerou críticas de setores que defendem a transparência total nas agências reguladoras. Os defensores da medida argumentam que o sigilo em questões administrativas internas pode conferir maior celeridade e proteção a dados sensíveis de gestão, enquanto opositores veem um retrocesso no controle social.

Divergências e o princípio da colegialidade na ANP

A votação refletiu um racha na cúpula da agência. Enquanto Artur Watt, Fernando Moura e Daniel Maia votaram a favor das mudanças, os diretores Pietro Mendes e Symone Araújo manifestaram oposição contundente. Para os dissidentes, a concentração de poder nas mãos de uma única pessoa pode fragilizar a governança interna e limitar a atuação dos demais diretores.

Pietro Mendes ressaltou que o momento atual, marcado por instabilidades no mercado global de combustíveis devido a conflitos no Oriente Médio, exige foco total da agência em suas atribuições finalísticas. Segundo ele, a mudança regimental dispersa energia e pode enfraquecer o princípio da colegialidade, que é a base do funcionamento das agências reguladoras brasileiras conforme a legislação vigente.

Contrapesos e a Lei das Agências Reguladoras

Em sua defesa, o diretor-geral Artur Watt ponderou que as alterações visam apenas adequar o regimento interno ao que já está previsto na Lei das Agências Reguladoras. Ele argumentou que, embora o colegiado detenha o poder sobre as decisões técnicas e normativas, a lei outorga competências específicas de gestão ao diretor-geral para garantir a operacionalidade da instituição.

Watt afirmou que o modelo aprovado ainda mantém um sistema de freios e contrapesos, uma vez que o diretor-geral continua sendo apenas um voto dentro do colegiado de cinco membros para decisões de mérito. De acordo com o relator, a centralização administrativa não impede que a diretoria continue exercendo seu papel fiscalizador e deliberativo sobre o mercado de petróleo e gás no Brasil. Para mais detalhes sobre as normas vigentes, consulte o portal oficial da ANP.

Fonte: agenciainfra.com

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