Representantes do setor logístico e empresarial gaúcho intensificaram a pressão pela ampliação da profundidade dos canais de acesso ao Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Durante audiência pública realizada pela ANTAQ na última terça-feira (11), entidades solicitaram que o projeto de concessão do Saip Sul-Mirim contemple o aprofundamento das vias navegáveis como condição estratégica para a competitividade regional.
Demanda por calado maior no Porto de Rio Grande
Atualmente, o projeto de concessão prevê um calado de 15 metros para os canais interno e externo, enquanto o canal do Porto Novo opera com 9,45 metros. Contudo, o setor produtivo defende a elevação desses índices para 18 metros e 12,5 metros, respectivamente. A medida é vista como essencial para permitir a operação de navios de maior porte e aumentar a capacidade de carga, reduzindo custos operacionais de importação e exportação.
Mário Roberto Rodrigues Lopes, presidente do Sindop/RG, reforçou que a Portos RS já desenvolve estudos técnicos para viabilizar essa ampliação. A expectativa é que o aprofundamento mitigue a necessidade de transbordo em outros portos, um processo que encarece a logística nacional e retarda o fluxo de mercadorias no estado.
Análise técnica e viabilidade da concessão
A Infra S.A., estatal responsável pelos estudos da concessão, indicou que o aprofundamento é avaliado com otimismo, embora ressalte que a inclusão dessas obras no contrato exigiria uma repactuação financeira. Fernando Corrêa dos Santos, superintendente da estatal, afirmou que a empresa mantém diálogo constante com a autoridade portuária para alinhar as diretrizes estratégicas ao planejamento do projeto.
O modelo de concessão do Saip Sul-Mirim é pioneiro ao integrar canais de acesso e trechos hidroviários sob um regime de subsídio cruzado. A proposta visa utilizar receitas da tarifa do canal de Rio Grande para financiar melhorias em ativos como a Hidrovia da Lagoa Mirim e trechos do Lago Guaíba, consolidando um sistema logístico interconectado.
Contexto de gargalos e novos editais
O debate sobre a infraestrutura portuária ocorre em um momento de atenção nacional. Enquanto o governo busca destravar concessões, outros complexos como Itajaí-Navegantes enfrentam restrições severas de calado devido ao assoreamento. A ANTAQ planeja publicar o edital para o complexo catarinense entre agosto e setembro, visando uma solução definitiva para a navegabilidade da região.
Paralelamente, o Ministério de Portos e Aeroportos instituiu, por meio da Portaria 316/2026, um grupo de trabalho focado no monitoramento da saturação portuária. A iniciativa busca identificar gargalos estruturais até 2030, garantindo que o planejamento logístico do país acompanhe a demanda crescente por movimentação de contêineres e eficiência operacional.
Fonte: agenciainfra.com