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Audiência no MPF em Belém debate direitos e desafios da população em situação de rua

Audiência no MPF em Belém debate direitos e desafios da população em situação de rua
Ascom MPF-PA

Uma audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Belém (PA) reuniu pessoas em situação de rua para que pudessem expressar diretamente suas demandas e dificuldades. O encontro teve como objetivo principal dar voz a essa população, que cobrou igualdade de oportunidades para reconstruir suas vidas, com acesso a trabalho, educação, moradia, saúde, qualificação profissional e serviços públicos adequados. A colaboração entre instituições públicas e organizações sociais foi um ponto central nas discussões.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado, destacou que a escuta ativa da população em situação de rua é fundamental para que o MPF e outras instituições identifiquem os serviços necessários e aprimorem suas atuações. A iniciativa busca fortalecer a cidadania e garantir que as políticas públicas sejam formuladas com base nas reais necessidades dos indivíduos.

Oportunidades de trabalho e qualificação profissional em foco

A falta de oportunidades de emprego surgiu como uma queixa recorrente nos depoimentos. Muitos participantes relataram possuir experiência profissional, formação técnica, cursos e diversas habilidades, mas enfrentam barreiras significativas para conseguir trabalho devido à sua condição social. A exclusão do mercado de trabalho impede a autonomia e a dignidade, conforme os relatos.

Rogério Alves*, por exemplo, afirmou ser soldador especializado e técnico em metalurgia, além de possuir carteira de motorista, mas não consegue emprego. Ele enfatizou que as pessoas em situação de rua buscam mais do que um local para dormir; anseiam por oportunidades de trabalho, renda, moradia e dignidade. Jorge Costa* reforçou que muitos têm profissão e currículo, mas o acesso ao mercado de trabalho permanece bloqueado, ressaltando a importância da educação e da oferta de cursos profissionalizantes.

O estudante Maurício Rodrigues*, próximo de concluir a graduação em Biologia e com cursos de instalação de placas solares e primeiros socorros, questionou como sua realidade poderia mudar com uma oportunidade de trabalho. A reivindicação por capacitação foi ampliada por Jordem Farias, coordenador sindical, que apontou a existência de pedreiros, ferreiros e carpinteiros vivendo nas ruas, defendendo a criação de vagas de contratação para esses profissionais.

A cidadã Maria Luiza Santos* sugeriu a realização de capacitações em parceria com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), incluindo oficinas preparatórias para inserção no mercado. Outros participantes pediram que equipamentos públicos existentes, como os Centros Pop e a Casa Rua, sejam utilizados para atividades de educação, Educação de Jovens e Adultos (EJA), oficinas, e cursos profissionalizantes, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis.

Desafios nos serviços de acolhimento e moradia

Além da carência de oportunidades, a população em situação de rua expôs problemas nos abrigos e Centros Pop. As queixas incluíram alimentação insuficiente, falta de água potável, condições precárias de banheiros, ausência de mobiliário, dificuldades de acesso à saúde, carência de atividades educacionais e profissionalizantes, e insuficiência de vagas de acolhimento.

Valdir Ferreira de Souza* relatou problemas no Centro Pop de Icoaraci, mencionando banheiros precários, goteiras e dificuldades com horários de atendimento e alimentação. Ele, que trabalha com artesanato, também destacou a falta de espaço para comercializar sua produção. Outros participantes apontaram a necessidade de melhorias estruturais na Casa Rua e no Espaço Acolher, incluindo acesso a água potável e ampliação da oferta de alimentação, estudo e atividades culturais.

O MPF, por meio de Sadi Machado, informou que já havia realizado vistorias em equipamentos de acolhimento e produzido relatórios detalhados sobre as condições encontradas. Ao final da audiência, esses documentos foram formalmente entregues à presidente da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Dyjane Chaves dos Santos Amaral, contendo medidas consideradas urgentes. A presidente da Funpapa reconheceu a necessidade de ampliar as vagas e melhorar os serviços, mencionando desafios como a quantidade de pessoal. Ela também informou que a energia elétrica de um Centro Pop havia sido restabelecida após um período de interrupção, fato que havia sido confirmado por perícia do MPF.

Saúde, documentação e a força da atuação interinstitucional

O acesso à moradia foi outra reivindicação central, com pedidos por maior acesso a programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, aluguel social e ampliação dos espaços de acolhimento. Aurélio Moreira Soares* defendeu a inclusão da população em situação de rua nesses programas, ressaltando que ter um lar é essencial para a reconstrução da autonomia. Ricardo Ganzer, diretor da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), enfatizou a necessidade de uma abordagem integrada para essas demandas, envolvendo moradia, assistência social, educação e saúde.

Na área da saúde, foram relatadas dificuldades para consultas, cirurgias, medicamentos e atendimento em saúde mental, levando Sadi Machado a reforçar a necessidade de fortalecer a rede de apoio psicossocial. A defensora pública Luciana Rassy Palácios destacou o papel da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) no auxílio à obtenção de documentos, como carteira de identidade, inclusive em casos de alteração de nome relacionada à identidade de gênero, colocando a instituição à disposição.

A atuação interinstitucional foi um tema recorrente, com representantes do MPF, Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), DPE-PA, Defensoria Pública da União (DPU), órgãos municipais e estaduais, e movimentos sociais ressaltando a importância da articulação. Paulo Thadeu Gomes da Silva, procurador federal dos Direitos do Cidadão, destacou que a defesa dos direitos da população de rua é uma prioridade nacional. O promotor de Justiça Firmino Araújo de Matos, do MPPA, e os procuradores da República Patrick Menezes Colares e Rafael Martins também reforçaram a importância da parceria e da união entre as instituições para dar visibilidade a uma causa historicamente marginalizada.

As pessoas ouvidas também relataram experiências de discriminação e violência, evidenciando a vulnerabilidade a que estão expostas e a urgência de ações de proteção e respeito aos seus direitos fundamentais. A atuação coordenada entre as entidades é vista como o caminho para avançar na promoção e defesa desses direitos.

Para mais informações sobre o trabalho do Ministério Público Federal em defesa dos direitos humanos, visite o site oficial do MPF.

Fonte: aprovinciadopara.com.br

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