O papel do TCU na condução do leilão de reserva de capacidade
O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas, declarou nesta segunda-feira (18) que a assinatura dos contratos referentes ao LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência) 2026 não está condicionada a uma decisão prévia da corte. Segundo o magistrado, o prosseguimento do processo depende diretamente da homologação por parte da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Dantas ressaltou que a responsabilidade pelo cumprimento dos prazos legais e editalícios recai sobre a agência reguladora. Contudo, o ministro reforçou que o tribunal mantém suas prerrogativas de controle e fiscalização sobre o certame, podendo intervir caso identifique a necessidade de correções ou anulações.
Poder de intervenção e medidas preventivas
Embora a homologação seja um ato da ANEEL, o TCU possui autonomia para atuar de forma preventiva. O ministro explicou que o tribunal pode determinar que a homologação não ocorra caso detecte irregularidades graves antes da conclusão da etapa. Caso a análise ocorra após a assinatura, a corte mantém o poder de expedir determinações corretivas ou anular os documentos contratuais.
A homologação dos contratos dos agentes vencedores está prevista para a próxima quinta-feira (21). Entretanto, o processo de adjudicação do leilão ainda não foi incluído na pauta da reunião da ANEEL desta terça-feira (19), mantendo o setor elétrico em compasso de espera.
Equilíbrio entre fiscalização e segurança energética
Um ponto central na análise do tribunal é a ponderação entre a legalidade do processo e o risco de desabastecimento de energia. Bruno Dantas enfatizou que, mesmo diante de eventuais irregularidades, o TCU avaliará a proporcionalidade das consequências de uma possível anulação.
O ministro destacou que o tribunal considerará a gravidade das falhas apontadas frente ao impacto que a interrupção do fornecimento poderia causar ao sistema nacional. Essa análise de risco é fundamental para garantir a estabilidade do setor elétrico brasileiro.
O debate sobre as geradoras de papel
Sobre a participação das chamadas “geradoras de papel” — empresas que atuam como intermediárias em leilões sem a intenção de executar os projetos —, Dantas afirmou que o tema deve ser endereçado em certames futuros. O ministro pontuou que essa prática não deve ser, por si só, o motivo para a anulação do atual leilão.
Para o ministro, é necessário distinguir agentes que estruturam projetos de forma séria daqueles que operam de maneira oportunista. O objetivo, segundo ele, é evitar a criação de uma indústria de comércio de leilões, garantindo que o foco permaneça na atração de investidores comprometidos com a geração real de energia. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal da Agência iNFRA.
Fonte: agenciainfra.com