O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oficializou a realização do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. O levantamento inédito está programado para ocorrer entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, com a expectativa de que os dados iniciais sejam publicados em dezembro do mesmo ano. A iniciativa busca mapear com precisão o perfil e a origem de brasileiros sem domicílio fixo em todo o território nacional.
Metodologia e o Censo Nacional da População em Situação de Rua
O anúncio da pesquisa ocorreu em uma série de eventos estratégicos, passando por Belém, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, a metodologia desenvolvida pelo órgão pretende se tornar uma referência global para o tratamento estatístico desse segmento populacional. O projeto é fruto de um diálogo contínuo com movimentos sociais e instituições da sociedade civil, visando garantir a eficácia na coleta de informações.
A necessidade de um levantamento de abrangência nacional justifica-se pelo crescimento acentuado da população em situação de rua nas últimas décadas. Em São Paulo, por exemplo, registros apontam que o número de pessoas sem moradia saltou de 3.393, em 1991, para 101 mil no ano de 2025. Esse cenário, descrito como uma “explosão” demográfica, reforça a urgência de políticas públicas estruturadas.
Desafios orçamentários e articulação política
Para viabilizar a operação, o IBGE enfatiza que a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre prefeituras ou governos estaduais. Marcio Pochmann defende que o tema exige um esforço nacional, com garantia de orçamento público definido em Brasília. A previsão é que os recursos necessários sejam incluídos na proposta orçamentária enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional em agosto.
O objetivo central é transformar o levantamento em uma ferramenta de transformação social. Ao identificar as causas e as trajetórias que levam indivíduos às ruas, o Estado espera criar condições para que a necessidade de contagens futuras seja reduzida, permitindo uma reintegração efetiva desses cidadãos à sociedade.
Participação social e combate à discriminação
O processo de construção do censo conta com a colaboração ativa de quem vivencia ou vivenciou a realidade das ruas. Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, destacou que pessoas com trajetória de rua serão contratadas para atuar diretamente na coleta de dados. A participação das 20 coordenações nacionais do movimento será fundamental para assegurar a precisão e a legitimidade dos resultados.
Além do aspecto técnico, o projeto carrega um forte componente humano e de combate ao preconceito. Relatos como o de Igor Santos, que vivenciou a realidade das ruas, evidenciam que a condição é frequentemente imposta por circunstâncias adversas da vida. O censo, portanto, surge como um mecanismo para dar visibilidade a uma parcela da população que, por muito tempo, foi negligenciada pelas estatísticas oficiais. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal da Agência Brasil.
Fonte: correiodecarajas.com.br