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Cheias súbitas no Nepal destroem dezenas de casas e deixam desaparecidos

Cheias súbitas no Nepal destroem dezenas de casas e deixam desaparecidos
Raphaël Glucksmann em 2025

O Nepal enfrenta uma nova emergência humanitária após cheias súbitas atingirem o centro do país neste domingo. O desastre, que causou a destruição de 45 casas e deixou pelo menos cinco pessoas desaparecidas, ocorre em um momento de extrema vulnerabilidade, poucas semanas após inundações devastadoras terem assolado a região. As autoridades locais mobilizaram esforços intensos de resgate para retirar moradores de áreas de risco, utilizando helicópteros para alcançar as zonas mais isoladas pelo avanço das águas do rio Budhi Gandaki.

Origem do desastre e danos estruturais

A catástrofe foi desencadeada por um fenômeno geológico específico no distrito de Gorkha. Segundo Dharam Raj Uprety, diretor da agência nacional de gestão de desastres, um deslizamento de terra bloqueou o curso do rio, criando uma represa natural que, ao ceder, liberou um volume massivo de água e detritos sobre as comunidades abaixo.

Além das residências arrastadas, a força da correnteza comprometeu severamente a infraestrutura local. O balanço oficial aponta danos em quatro pontes e três projetos hidroelétricos, o que agrava a crise energética e logística na região afetada. A operação de salvamento, que conta com o apoio de quatro helicópteros, já permitiu o resgate de 82 pessoas, incluindo nove cidadãos estrangeiros.

Impacto psicológico e histórico recente

A população local relata um cenário de terror, comparando o evento recente a tragédias anteriores que ainda marcam a memória coletiva. Laxmi Gurung, uma das moradoras do município rural de Chumnubri, descreveu a situação como um pesadelo, destacando a perda total de bens e a interrupção do fornecimento de energia elétrica. O trauma é acentuado pelo histórico recente de desastres climáticos no país.

O Nepal ainda tenta se recuperar de inundações catastróficas ocorridas em 26 de agosto, causadas pelo colapso de uma geleira de montanha. Aquele evento, que resultou em mais de 1 400 mortes e milhares de desaparecidos, estabeleceu um precedente de medo para os residentes das áreas montanhosas. Somam-se a isso as chuvas intensas registradas no final de setembro, que causaram pelo menos 21 mortes adicionais.

Análise técnica e resiliência futura

Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), sediado em Catmandu, alertam para a complexidade dos riscos nos sistemas fluviais dos Himalaias. A diversidade de fatores que geram cheias destrutivas exige uma abordagem científica mais robusta para a prevenção.

Pema Gyamtsho, diretor-geral do ICIMOD, enfatizou que, embora o foco imediato permaneça no salvamento de vidas, a investigação sobre os gatilhos dessas inundações é indispensável. O objetivo é reduzir riscos futuros e fortalecer a resiliência das comunidades que vivem sob a constante ameaça da instabilidade geográfica e climática da região.

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