A extração ilegal de minérios, um desafio persistente em regiões de grande riqueza natural, foi alvo de uma recente e abrangente operação federal no sudeste do Pará. A ação, que reuniu diversas forças de segurança e órgãos ambientais, visou desmantelar atividades ilícitas de garimpo de ouro e cobre, gerando um impacto financeiro significativo e a inutilização de uma vasta gama de equipamentos. Este esforço conjunto sublinha a complexidade e a escala do combate a crimes ambientais que afetam ecossistemas e economias locais.
Forças-tarefa intensificam combate à mineração ilegal
Em uma iniciativa coordenada, a Polícia Federal, em colaboração com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Força Nacional, deflagrou a quarta fase da Operação Federal Extractio II. A ação ocorreu na região de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, com foco específico no Projeto Barão/Serra Dourada. O objetivo principal foi interromper a extração clandestina de ouro e cobre, que causa danos ambientais irreversíveis e movimenta grandes somas de dinheiro ilícito.
Equipamentos e infraestrutura de garimpo desativados
Durante a operação, as equipes atuaram diretamente na desarticulação da infraestrutura utilizada pelos garimpeiros ilegais. Uma escavadeira hidráulica foi inutilizada no local, enquanto outra foi apreendida e entregue a um fiel depositário. Além do maquinário pesado, a impossibilidade de remoção segura levou à inutilização de seis acampamentos clandestinos.
Ainda foram neutralizados mil litros de óleo diesel, 13 motores elétricos, quatro geradores, dois motores estacionários, duas motobombas e uma carretinha, todos essenciais para a manutenção e operação das atividades ilegais. Complementarmente, foram apreendidas duas motocicletas, um martelete e uma motosserra, equipamentos frequentemente empregados nas operações de garimpo.
Descoberta de explosivos e substâncias ilícitas
A complexidade das atividades ilegais foi evidenciada pela descoberta de materiais perigosos e substâncias controladas. Os agentes localizaram 58 cartuchos de emulsão explosiva, 50 espoletas e 20 metros de cordel detonante, indicando o uso de métodos de extração de alto risco e potencial destrutivo. Tais materiais são frequentemente empregados para desmonte de rochas e acesso a veios minerais, representando um perigo tanto para os operadores quanto para o meio ambiente.
Adicionalmente, aproximadamente 400 gramas de maconha foram encontrados no local. Conforme os procedimentos legais, tanto os explosivos quanto a droga foram inutilizados pelas autoridades, reforçando a natureza multifacetada do crime organizado associado à mineração ilegal.
Impacto financeiro e ambiental da operação
A quarta fase da Operação Extractio II gerou um impacto financeiro estimado em R$ 1,25 milhão. Este valor é calculado com base nos maquinários inutilizados, nos bens apreendidos e nos autos de infração lavrados durante a ação. O prejuízo imposto aos grupos criminosos visa descapitalizar e dificultar a continuidade das operações ilegais, servindo como um desincentivo à prática.
Além do impacto econômico direto, a interrupção dessas atividades representa um ganho ambiental significativo. A mineração ilegal de ouro e cobre frequentemente envolve desmatamento, contaminação de rios por mercúrio e outros produtos químicos, e alteração da paisagem, comprometendo a biodiversidade e os recursos hídricos da região. A atuação das forças-tarefa é crucial para a proteção do patrimônio natural brasileiro.
Saiba mais sobre as ações da Polícia Federal no combate a crimes ambientais.
Fonte: portalofato.com.br