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Comércio Brasil-eua recua sob pressão tarifária e abre espaço para a ascensão chinesa

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Reprodução Abril

O cenário do comércio exterior brasileiro enfrenta uma reconfiguração significativa, impulsionada pelas políticas comerciais dos Estados Unidos. Com o prazo para a agência de defesa comercial americana (USTR) apresentar suas recomendações a Donald Trump se encerrando em 15 de julho, a expectativa é de que novas tarifas, podendo chegar a 37,5%, sejam impostas sobre produtos brasileiros a partir de agosto. Essa medida, vista por empresários e diplomatas como uma estratégia política de afirmação do poderio comercial dos EUA, parece estar gerando um efeito contrário ao desejado na disputa de influência com a China na América do Sul.

Os dados mais recentes do primeiro semestre de 2026 revelam uma tendência clara: enquanto o fluxo comercial com os EUA diminui, a China consolida sua posição como principal parceiro do Brasil. Essa dinâmica não apenas altera a balança econômica, mas também levanta questões sobre a dependência brasileira de mercados específicos e a hegemonia econômica na região.

Ameaça de novas tarifas e o cenário comercial

A iminência de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros tem sido um ponto de atenção no comércio internacional. A USTR, agência responsável pela defesa comercial dos EUA, está prestes a finalizar suas recomendações ao ex-presidente Donald Trump, que podem resultar em um aumento tarifário substancial. Especialistas preveem que as empresas brasileiras dificilmente escaparão de um novo “tarifaço”, com alíquotas que podem alcançar 37,5% nas vendas para o mercado americano.

Essa abordagem é interpretada como uma tática política de Trump para reafirmar o poderio comercial dos Estados Unidos em suas relações com diversas nações, incluindo o Brasil. Embora as implicações eleitorais no Brasil sejam incertas, a medida reflete uma estratégia global de Washington que busca recalibrar as relações comerciais com uma centena de países.

Precedentes judiciais e a busca por arrecadação

A história recente mostra que as tarifas impostas pelos EUA nem sempre se sustentam sem contestação. No ano anterior, um “tarifaço” de até 50% sobre produtos brasileiros foi derrubado na Justiça americana. Essa vitória foi, em parte, resultado da atuação de empresas importadoras e grupos de lobby de consumidores dos EUA, que argumentaram contra os impactos negativos dessas medidas.

Atualmente, a USTR está empenhada em restabelecer os mecanismos de arrecadação para o acesso ao mercado americano, buscando formas de implementar as tarifas de maneira mais robusta juridicamente. Esse esforço sublinha a persistência da política comercial protecionista, apesar dos desafios legais e das críticas de diversos setores.

Reconfiguração dos fluxos comerciais brasileiros

Os resultados comerciais do Brasil no primeiro semestre de 2026 são eloquentes e demonstram uma clara mudança de direção. As exportações brasileiras para o mercado americano registraram uma queda significativa de 13,0% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 17,4 bilhões de dólares. As importações dos EUA também recuaram 12,5%, somando 18,9 bilhões de dólares.

Em contraste, o comércio com a China apresentou um crescimento robusto. As vendas para o mercado chinês aumentaram 21,9% no primeiro semestre, gerando 58,3 bilhões de dólares para os exportadores brasileiros. As compras da China também cresceram vigorosamente, com um aumento de 8%, atingindo 38,5 bilhões de dólares. Esses números evidenciam uma reorientação substancial dos parceiros comerciais do Brasil.

Implicações geopolíticas e econômicas da mudança

A crescente dependência do Brasil do mercado chinês, especialmente na exportação de produtos primários como soja, milho, petróleo e minério de ferro, levanta questões estratégicas. Embora o quadro atual não seja irreversível, ele implica um aumento gradual da já elevada dependência do Brasil de um único mercado para suas commodities. Por outro lado, a China também se torna mais dependente de um fornecedor global como o Brasil.

Para os Estados Unidos, essa mudança representa a perda de um mercado relevante e, em última instância, um enfraquecimento de sua posição hegemônica na economia brasileira. Embora empresas americanas ainda sejam as principais investidoras estrangeiras no Brasil, o crescimento do investimento chinês é notável. Dados do Conselho Empresarial Brasil-China indicam que os investimentos da concorrência chinesa aumentaram 6,1 bilhões de dólares no ano passado, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior, sinalizando uma disputa crescente por influência econômica na região. Para mais informações sobre o comércio exterior brasileiro, consulte o portal de comércio exterior do governo brasileiro.

Fonte: veja.abril.com.br

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