A comunidade surda de Marabá realizou uma mobilização na Câmara Municipal nesta sexta-feira (24), data que marca o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O ato buscou chamar a atenção do poder público para a necessidade urgente de garantir direitos básicos de comunicação, com foco especial na reestruturação da Central de Intérpretes de Libras (CIL) e na presença de profissionais capacitados em repartições públicas.
Embora a Lei 10.436 tenha oficializado a Libras como meio legal de expressão no Brasil em 2002, os manifestantes apontam que a realidade local ainda é marcada pela exclusão. Com 95 pessoas surdas cadastradas no município, a falta de intérpretes em locais estratégicos, como hospitais e delegacias, impede o exercício da cidadania e coloca essa parcela da população em situação de vulnerabilidade.
A luta por autonomia na gestão da CIL
O epicentro das reivindicações é a atual estrutura administrativa da CIL. O serviço, que deveria ser um facilitador de acessibilidade, encontra-se subordinado ao Centro de Atendimento Especializado na área da Surdez (CAES), na Folha 23, em Nova Marabá. Segundo os manifestantes, essa dependência hierárquica limita a eficácia do atendimento.
A comunidade defende a separação administrativa entre os dois órgãos. A proposta é que a CIL passe a contar com uma coordenação própria, focada exclusivamente na logística e na disponibilidade de intérpretes para acompanhar os cidadãos em suas demandas externas, eliminando gargalos operacionais que, segundo relatos, são frequentes na gestão atual.
Barreiras no acesso a serviços essenciais
O presidente do Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência e da Associação dos Surdos (IEDS), Marcos Vinicius Peres, reforçou que a ausência de profissionais qualificados gera prejuízos graves. O relato de cidadãos que não conseguiram atendimento em delegacias por falta de tradução em Libras ilustra a urgência de políticas públicas mais inclusivas.
A manifestação na Câmara Municipal serviu como um alerta para que o Poder Executivo revise as diretrizes de atendimento ao público surdo. A exigência é por um serviço que não apenas exista no papel, mas que funcione de forma ágil, respeitando a autonomia e a dignidade das pessoas com deficiência auditiva em Marabá.
O papel da legislação na inclusão social
Mais de duas décadas após o reconhecimento legal da Libras, o debate em Marabá reflete um desafio nacional: a transição da norma jurídica para a prática cotidiana. A busca por intérpretes não é apenas uma questão de conveniência, mas um requisito fundamental para a equidade no acesso à saúde, segurança e justiça.
Para mais informações sobre o cenário da inclusão no país, consulte o portal do Governo Federal. A mobilização dos surdos em Marabá reafirma que a acessibilidade é um direito inegociável e que a comunidade continuará pressionando por mudanças estruturais na gestão municipal.
Fonte: correiodecarajas.com.br