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COP17 deve adiar acordo global contra secas em meio a impasses geopolíticos

COP17 deve adiar acordo global contra secas em meio a impasses geopolíticos
Agência Brasil / EBC

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para um novo adiamento na criação de um regime global efetivo contra as secas. Embora as discussões oficiais mantenham um tom diplomático, negociadores confirmam que o consenso necessário para a implementação de mecanismos obrigatórios não será alcançado até o encerramento do evento, previsto para esta sexta-feira (28).

O cenário aponta para a repetição de um modelo procedimental, transferindo o debate central para a COP18, agendada para 2028, no Egito. O impasse é sustentado pela resistência de potências como os Estados Unidos e a União Europeia, que divergem sobre compromissos financeiros e obrigatoriedades legais, enquanto nações africanas, historicamente mais vulneráveis, pressionam por uma resposta multilateral coordenada.

Impasses geopolíticos e financeiros na COP17

As negociações na Mongólia revelam uma divisão profunda sobre como financiar a resiliência climática. Enquanto países em desenvolvimento defendem a criação de um mecanismo multilateral robusto, nações ricas priorizam a adesão voluntária, evitando compromissos orçamentários rígidos. O Brasil e a Arábia Saudita atuaram como mediadores durante a semana, tentando evitar que o tema fosse completamente excluído da agenda final, uma proposta defendida por representantes norte-americanos.

Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da UNCCD, reconheceu que o ambiente atual é de extrema dificuldade para negociações ambiciosas. Segundo a autoridade, embora o cenário seja complexo, a pressão da sociedade civil e do setor privado permanece como um motor essencial para que os governos não abandonem a responsabilidade de enfrentar o que já é considerado um desafio global comum.

A urgência da gestão preventiva de riscos

Dados da UNCCD indicam que a frequência e a intensidade das secas cresceram quase 30% desde 2000, forçando uma mudança de paradigma. Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho sobre seca da instituição, enfatiza que tratar o fenômeno como um desastre imprevisível é uma abordagem obsoleta. A estratégia defendida pela ONU foca na transição da gestão de crises para a gestão preventiva de riscos.

O risco sistêmico da seca, que agora afeta desde hidrovias e o comércio global até a segurança alimentar, exige uma resposta unificada. A interdependência econômica mundial significa que eventos climáticos extremos em uma região geram impactos logísticos em continentes distantes, tornando a preparação antecipada uma necessidade estratégica para todas as nações, independentemente de sua localização geográfica.

Iniciativas paralelas e novas plataformas de dados

Diante da incerteza sobre um acordo global, iniciativas paralelas ganham força na COP17. A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP) avançou com promessas de aportes bilionários, incluindo US$ 150 milhões da Arábia Saudita e US$ 2 bilhões do Banco Islâmico de Desenvolvimento e do Fundo da Opep. Paralelamente, o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif) foi lançado para atrair capital privado através de investimentos catalíticos.

A tecnologia também ocupa um papel central com o lançamento da Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro). A plataforma, desenvolvida em parceria com a Universidade de Yale, utiliza inteligência artificial para processar o Índice de Resiliência à Seca (DRI). A ferramenta visa fornecer subsídios técnicos para que formuladores de políticas públicas possam identificar vulnerabilidades e desenhar estratégias de adaptação mais eficazes em escala global. Para mais informações sobre o monitoramento, acesse o portal oficial da UNCCD.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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