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Crise na saúde de Marabá: morador denuncia falta de medicamentos e revela gargalos no atendimento

Crise na saúde de Marabá: morador denuncia falta de medicamentos e revela gargalos no atendimento
Reprodução / correiodecarajas.com.br

Um vídeo gravado por um idoso, cuja identidade não foi revelada, ganhou repercussão nas redes sociais ao denunciar a escassez de medicamentos no Centro de Saúde Amadeu Vivacqua, localizado no bairro São Félix II, em Marabá. A gravação, que se tornou um clamor público, direciona um apelo direto à Prefeitura de Marabá, solicitando uma intervenção urgente nas unidades de saúde.

No vídeo, o morador pede que o prefeito Toni Cunha visite o Amadeu Vivacqua e outra unidade no São Félix, destacando a necessidade da população por acesso a remédios essenciais. A denúncia do idoso desencadeou uma série de manifestações de outros cidadãos, que confirmaram e ampliaram as queixas sobre a precariedade dos serviços de saúde em diversos pontos da cidade.

Falta de medicamentos: o clamor da população e a realidade nos postos

A repercussão do vídeo foi imediata, com diversos moradores utilizando as redes sociais para corroborar as informações e relatar experiências semelhantes. Usuários como Dri Fernandes mencionaram que as unidades dos bairros Liberdade e Laranjeiras também enfrentam problemas, citando a necessidade de comprar até mesmo sulfato ferroso, medicamento vital para gestantes.

Valéria Souza acrescentou que a carência se estende a materiais para exames laboratoriais. Segundo ela, quando os exames são realizados, os pacientes recebem apenas um QR Code, obrigando-os a arcar com os custos de impressão em estabelecimentos externos. Outros questionamentos surgiram, como o de Augusto Lopes, que indagou sobre a promessa não cumprida de postos de saúde 24 horas.

A situação é ainda mais crítica em algumas unidades, conforme relatado por Vanessa San, que destacou a ausência de geladeiras para armazenar injeções na unidade Maria Bico Doce. Erisvania Oliveira, que depende de remédios controlados, confirmou a irregularidade no abastecimento, afirmando que a falta é mais comum do que a disponibilidade. As queixas não se limitam à saúde, com Sílvia Cristina criticando a paralisação de obras no bairro Belo Horizonte.

Desafios na gestão da saúde municipal e metas não atingidas

Apesar de um investimento significativo, a gestão municipal de Marabá enfrenta desafios persistentes na área da saúde. Em abril de 2026, o município autorizou a compra emergencial de R$ 6,4 milhões em medicamentos injetáveis e registrou um contrato emergencial de aproximadamente R$ 16,6 milhões. O Portal da Transparência indicava estoques positivos nos polos em setembro, mas a disponibilidade nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) não era garantida, com planilhas de seis unidades desatualizadas desde junho de 2025.

O Relatório Anual de Gestão aponta que Marabá aplicou R$ 391,5 milhões em saúde, representando 31,19% das receitas do setor. Contudo, o abastecimento de medicamentos atingiu apenas 70%, bem abaixo da meta de 100%. A oferta de leitos foi de 0,63 por mil habitantes, contra um objetivo de 0,86, e a cobertura de saúde bucal ficou em 19,40%, distante da meta de 55%. O Plano Municipal de Saúde de 2024 revela uma cobertura de 56,30% na atenção básica, com áreas descobertas, sobrecarga de agentes comunitários e unidades sem equipes completas, operando majoritariamente das 7h às 18h. Para mais informações sobre a gestão da saúde pública no Brasil, consulte o Ministério da Saúde.

Superlotação e deficiências em hospitais e serviços especializados

A situação dos hospitais também é preocupante. Em janeiro, uma vistoria conjunta do Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA), Ministério Público e Defensoria Pública encontrou superlotação na emergência do Hospital Municipal (HMM). O CRM-PA relatou 42 pacientes em observação, com picos de 60 a 70 pessoas, atendidas por apenas dois médicos. A entidade também apontou a mistura de pacientes com doenças infectocontagiosas, sepse, idosos e pessoas em surto psiquiátrico.

A Prefeitura, embora contestando algumas informações, reconheceu que o pronto-socorro operava acima de 100% de sua capacidade. Outro ponto crítico foi a fila de exames laboratoriais, que em março contava com 7.300 pacientes aguardando, totalizando mais de 40 mil procedimentos. Mutirões e uma rede credenciada foram mobilizados para reduzir a demanda, e em junho, a Secretaria anunciou o zeramento da fila, prometendo novos exames em menos de 30 dias, sem auditoria independente para verificar o resultado.

Ações da prefeitura e a persistência dos gargalos

A saúde materno-infantil também exibe indicadores abaixo do esperado. O Plano Municipal de 2024 registrou sete mortes maternas, 67 óbitos infantis e 36 neonatais. A mortalidade infantil foi de 16,70 por mil nascidos vivos, superando a meta de 10, e os partos normais representaram 35,60%, aquém do objetivo de 65%. Há ainda uma auditoria em andamento sobre possíveis perdas de vacinas em três UBS.

O Ministério Público do Pará abriu um procedimento para investigar supostas irregularidades nas terapias para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), incluindo relatos de redução de carga horária, demora em guias e remanejamento para unidades com estrutura inadequada. A Prefeitura afirma ter herdado uma rede com problemas acumulados e destaca iniciativas como o Saúde Dia e Noite, o Fast Track, mutirões, unidades móveis, compras emergenciais e o Centro de Cirurgias Eletivas. Para enfrentar uma fila de cirurgias que ultrapassava 5 mil pacientes, o município locou o Hospital Santa Terezinha por R$ 158.367,99 mensais, informando a realização de 589 cirurgias, 1.927 consultas e 2.187 exames no Centro, dados que são contestados pelo Conselho de Saúde.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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