A continuidade dos atendimentos especializados para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) voltou a ser pauta central de discussões na Câmara Municipal de Marabá. A preocupação surgiu diante da iminente suspensão dos serviços prestados por uma clínica conveniada, motivada por atrasos nos repasses financeiros. O tema mobilizou vereadores, mães de crianças atípicas e representantes da instituição em uma reunião da Comissão de Administração, Saúde, Serviços, Segurança e Seguridade Social, realizada para buscar soluções e garantir o acesso ininterrupto a terapias essenciais.
A situação acende um alerta para dezenas de famílias no município, que dependem desses atendimentos para o desenvolvimento e a qualidade de vida de seus filhos. A possibilidade de interrupção dos serviços gera grande angústia e incerteza, reforçando a urgência de um diálogo efetivo entre as partes envolvidas para evitar prejuízos irreparáveis aos pacientes e suas famílias.
Ameaça de Interrupção em Atendimentos Essenciais para Autismo
Nos últimos meses, a Clínica Comunicare, uma das empresas que mantêm convênio com a Prefeitura de Marabá para a oferta de terapias especializadas, tem enfrentado dificuldades significativas. A unidade, responsável pelo atendimento de 47 crianças mensalmente, que totalizam cerca de 17 mil atendimentos anuais, reportou atrasos sistemáticos nos repasses financeiros devidos pelos serviços prestados. Essa instabilidade financeira ameaça diretamente a capacidade da clínica de manter suas operações e a qualidade dos tratamentos.
A situação levou membros do corpo administrativo da clínica, parlamentares e mães de crianças com autismo a se reunirem. O objetivo do encontro foi discutir a gravidade do cenário e articular medidas que possam assegurar a continuidade dos atendimentos, considerados cruciais para o desenvolvimento e bem-estar dos pacientes.
Dificuldades Financeiras e o Alerta da Clínica
Durante a reunião, o diretor técnico e proprietário da Clínica Comunicare, Adriano Viegas Rodrigues, detalhou as adversidades financeiras enfrentadas pela empresa. Ele afirmou que, apesar de cumprir todos os requisitos contratuais, a clínica tem encontrado inúmeras dificuldades para receber os pagamentos da Prefeitura de Marabá. Essa situação tem gerado um prejuízo considerável, colocando em risco a viabilidade da prestação dos serviços.
Diante da persistência dos atrasos, o diretor alertou para a possibilidade de rescisão do contrato de prestação de serviços com o município. Ele expressou que a clínica não possui mais “fôlego financeiro” para continuar operando sob as condições atuais. Além disso, o diretor criticou a percepção de falta de sensibilidade da gestão municipal em relação à comunidade autista, avaliando que isso se reflete no número reduzido de políticas públicas voltadas a esse público.
A Voz das Mães e a Luta por Direitos
A reunião foi marcada por relatos emocionados de mães de crianças com autismo, que expressaram sua profunda preocupação com a possível interrupção dos atendimentos. Jeane Nascimento, mãe de duas crianças atípicas e usuária dos serviços da Clínica Comunicare, lamentou a situação e destacou o impacto direto na vida de seus filhos. Ela ressaltou a dificuldade de inclusão que essas crianças enfrentam e a importância vital das terapias para preencher essas lacunas.
As mães presentes manifestaram sentir-se esquecidas pelo setor público, apesar de viverem uma realidade desafiadora. A iminência do rompimento do contrato da clínica com o município representa uma ameaça direta aos direitos de seus filhos, que dependem desses serviços para seu desenvolvimento contínuo. A mobilização dessas famílias na Câmara reforça a bravura e a persistência na busca por apoio e assistência.
Reação Parlamentar e Cobranças à Gestão Municipal
Os vereadores presentes na comissão demonstraram grande preocupação com os relatos e a gravidade da situação. O presidente da comissão, Ubirajara Sompré, enfatizou a urgência do pagamento dos débitos para evitar a interrupção das sessões terapêuticas. Ele afirmou que, caso a situação não seja resolvida, a Câmara poderá considerar a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso, buscando esclarecimentos e garantindo os direitos das famílias.
Outros parlamentares também se pronunciaram, reforçando o compromisso da Câmara com a manutenção dos atendimentos. O vereador Jimmyson Pacheco criticou a ausência de representantes da Secretaria Municipal de Saúde nas discussões, apontando que essa falta tem dificultado o avanço das soluções. Ele sugeriu que a pauta não tem sido uma prioridade para a gestão. Marcos Paulo da Agricultura classificou a situação como desrespeitosa, enquanto Márcio do São Félix cobrou providências imediatas, destacando a aflição das mães e a contradição entre as falas da gestão e suas atitudes.
A Câmara reafirmou seu papel de fiscalização e defesa dos cidadãos, prometendo buscar uma reunião com a gestão municipal para resolver a questão dos pagamentos e assegurar que os serviços essenciais para crianças com autismo não sejam interrompidos. A continuidade do apoio e assistência do poder público é vista como fundamental para essas famílias.
Fonte: correiodecarajas.com.br