Uma ordem explícita de assassinato, proferida pelo ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, foi revelada em documentos da Polícia Federal. A determinação, direcionada a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, envolvia a suposta filmagem não autorizada da filha de Vorcaro, Stella, e sua disseminação na internet. Este episódio faz parte do vasto acervo de arapongagens extraído pela PF, que detalha a atuação de um grupo responsável por acessos ilegais a inquéritos policiais e intimidação de desafetos.
Os diálogos entre Vorcaro e Sicário, líder da “Turma”, foram desclassificados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, tornando públicos detalhes da operação que visava intimidar e, em um momento, eliminar um indivíduo. A gravidade da ordem e a subsequente mobilização de recursos para sua execução destacam a profundidade das investigações sobre as atividades do grupo.
A Ordem Explícita e a Suposta Filmagem em Saint-Tropez
Em 25 de julho de 2025, Daniel Vorcaro expressou sua fúria em uma mensagem a Sicário, afirmando: “Um Filho da p*** me filmou com a stella minha filha e esta espalhando internet (sic)”. A mensagem foi seguida pela sentença direta: “Preciso matar esse cara”. A reação de Sicário foi imediata, perguntando a identidade do alvo e prometendo: “Vou pra cima…”.
Poucos segundos depois, o banqueiro encaminhou um contato de celular com prefixo internacional do Reino Unido, identificando-o como “alguém que estava na mesa com esse idiota”. A suposta filmagem teria ocorrido no clube de praia Casa Amor, localizado em Saint-Tropez, na Riviera Francesa. Vorcaro instruiu seu subordinado a ligar para o estabelecimento e se apresentar como agente da Polícia Federal brasileira, exigindo os nomes de todos que estavam na mesa com o titular do número britânico.
A ira de Vorcaro era palpável nas mensagens seguintes: “Filha da p***. To afim de ir la agora. Tava com stella. Minha filha. Ai nao da pra admitir (sic)”, desabafou, evidenciando a motivação pessoal por trás da ordem.
A Atuação da ‘Turma’ e a Abordagem ao Contato Britânico
Cerca de uma hora após a ordem inicial, Sicário enviou a Vorcaro capturas de tela de uma conversa que Marilson Roseno Silva, um policial federal aposentado e integrante da “Turma”, teria mantido com o contato britânico. Silva interpelou o estrangeiro sobre o incidente narrado por Vorcaro, buscando informações sobre a suposta filmagem.
O interlocutor britânico, em mensagens de texto em inglês, negou veementemente ter gravado qualquer vídeo. “Alguém disse que eu gravei um vídeo de Daniel, mas não fui eu. Nunca gravei esse vídeo, não sei quem o gravou. Me desculpe, mas não tenho nenhuma informação sobre isso. Não sei do que você está falando”, retrucou o estrangeiro.
As Respostas do Interpelado e o Desfecho Inconcluso da Investigação
Em resposta a questionamentos adicionais de Silva, o indivíduo interpelado forneceu os nomes de quatro amigos americanos e algumas “garotas suecas” que estavam com ele na mesa do clube. Quando perguntado se era um “blogueiro”, ele explicou que havia encontrado Vorcaro uma vez no Rio de Janeiro, mas que não o conhecia bem e que não tinha qualquer envolvimento com a suspeita de filmagem não autorizada da filha do banqueiro.
O relatório da PF indica que, após o encaminhamento das respostas do contato britânico, Sicário perguntou a Vorcaro quais seriam os próximos passos. Contudo, o documento não registra uma resposta do mandante da abordagem, nem detalha se outras ações foram tomadas em relação à revolta do ex-dono do Master com a suposta gravação de sua filha.
O Contexto da Investigação do Caso Master e a Morte de Sicário
O caso Master, que envolve Daniel Vorcaro e a “Turma”, tem sido objeto de intensa investigação por parte da Polícia Federal. A revelação desses diálogos oferece um vislumbre das táticas empregadas pelo grupo para intimidar e lidar com desafetos, utilizando, inclusive, a simulação de autoridade policial.
Um desdobramento trágico da investigação foi a morte de Sicário, ocorrida em 6 de março de 2026. Ele foi encontrado desacordado em sua cela na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. A corporação informou que ele atentou contra a própria vida, encerrando a participação de uma figura central nas arapongagens e intimidações apuradas no caso.
Fonte: veja.abril.com.br