O filme Dark Horse, que aborda a trajetória de ascensão de Jair Bolsonaro ao poder após o incidente da facada, está gerando ampla controvérsia antes mesmo de seu lançamento. Detalhes do roteiro e relatos de membros da produção, obtidos por veículos de imprensa, indicam que a obra incluirá um personagem que remete a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e insinuará que a vitória eleitoral de outro político em pleito posterior teria sido resultado de fraude. A produção, que já enfrenta questionamentos sobre seu financiamento, promete reacender debates acalorados sobre a narrativa política e a representação de fatos históricos.
A Controvertida Narrativa de Dark Horse
O enredo de Dark Horse culmina com o triunfo eleitoral de Bolsonaro em 2018. A cena final do longa-metragem mostra um grupo de indivíduos, retratados como os antagonistas da história, assistindo à posse do então presidente pela televisão. O líder desse grupo, identificado como Paulo Pontes, encerra a transmissão ao desligar o aparelho, simbolizando uma oposição ao sistema que Bolsonaro supostamente enfrentava.
A figura de Paulo Pontes é construída como uma representação do “sistema” contra o qual Bolsonaro teria lutado. Em um flashback ambientado em 1985, Pontes é introduzido como um “barão das drogas” conhecido como Cicatriz, que é detido pelo jovem Capitão Bolsonaro. Anos depois, em 2009, ele reaparece como um influente empresário que tenta, sem sucesso, subornar Bolsonaro em troca de favores políticos. Na linha do tempo principal da narrativa, em 2018, Pontes é retratado como o mentor intelectual por trás do atentado sofrido pelo ex-presidente.
A Figura Misteriosa e a Insinuação de Fraude Eleitoral
Um dos pontos mais sensíveis do roteiro envolve a presença de um figurante careca na sala onde o grupo de Pontes acompanha a posse. O texto original em inglês descreve-o como um “homem esguio, careca, sério, de postura prepotente”, com a sugestão explícita de que “ele poderia ser um ministro do Supremo Tribunal Federal”. Durante as gravações, o diretor teria insistido na escolha de um ator careca, que foi filmado de costas para enfatizar essa característica distintiva, diferenciando-o dos demais presentes na cena.
Após o desligamento da televisão cenográfica, o filme exibe frases finais em um fundo preto, que são o cerne da controvérsia. Essas frases insinuam que a vitória do atual presidente em 2022 teria sido alcançada por meio de fraude eleitoral. O texto final do longa afirma que uma investigação sobre o atentado concluiu que o agressor agiu sozinho, mas que o inquérito foi “incompleto” e “deixou de fora muitas questões”. Em seguida, declara que o ex-presidente perdeu a reeleição por uma margem estreita e que “acusações de adulteração eleitoral e fraude são generalizadas”, culminando com a descrição de manifestações e prisões, e a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe em 2025 pelo STF.
O Financiamento da Produção e Questões de Credibilidade
A produção de Dark Horse também está sob escrutínio devido ao seu financiamento. O filme contou com o patrocínio de Daniel Vorcaro, ex-proprietário de uma instituição financeira, que foi detido sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, além de táticas de intimidação e coerção. A associação com um financiador envolvido em tais alegações levanta questões sobre a independência e a credibilidade da obra.
A produtora Go Up, responsável pelo projeto, foi procurada por veículos de imprensa para comentar as informações reveladas sobre o roteiro e o financiamento, mas não houve retorno até o momento. A ausência de posicionamento da produtora mantém em aberto as discussões sobre a transparência e as intenções por trás da narrativa apresentada no filme. É importante contextualizar que, no pleito de 2022, o atual presidente venceu o segundo turno com uma diferença de mais de dois milhões de votos, e o ex-presidente foi declarado inelegível em 2022 por disseminar suspeitas infundadas de fraude eleitoral, conforme amplamente noticiado por fontes confiáveis como Globo.com.
Fonte: blogdomagno.com.br