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Digital: BCE reitera que euro não substituirá dinheiro físico nem será para vigilância

Euro digital não vai substituir dinheiro vivo, garante Lagarde à Euronews
Euro digital não vai substituir dinheiro vivo, garante Lagarde à Euronews

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, assegurou em entrevista exclusiva que o euro digital não tem como objetivo substituir o dinheiro físico nem permitir a vigilância de pagamentos pelo banco central. A declaração surge em um momento crucial, com a legislação sobre o tema avançando para uma nova fase após meses de negociações intensas no Parlamento Europeu.

Lagarde enfatizou que o projeto do euro digital visa complementar, e não substituir, o dinheiro em espécie, refutando alegações de que a iniciativa foi concebida para monitorar os cidadãos. A entrevista foi concedida à jornalista Maria Tadeo, chefe de notícias da UE na Euronews, para o programa The Europe Conversation.

Euro digital: complemento ao dinheiro físico e garantia de privacidade

A presidente do BCE saudou a aprovação massiva do mandato negocial pelo Parlamento Europeu, um passo que aproxima a legislação da adoção prevista para o final de 2026. Ela destacou que o euro digital trará o dinheiro público, atualmente disponível principalmente em numerário, para a era digital, em um cenário de crescente concorrência entre jurisdições. Assim como as notas e moedas, o euro digital terá curso legal.

Lagarde reforçou que tanto o numerário quanto o euro digital serão de curso legal, garantindo que nenhum estabelecimento na Europa poderá recusar o pagamento em notas ou na nova moeda digital. Além disso, o BCE planeja apresentar uma nova estratégia para as notas até o final do ano, com um conjunto de propostas para o novo desenho e imagem, indicando que “o dinheiro vivo não vai desaparecer, vai ser rejuvenescido”.

Autonomia estratégica europeia nos pagamentos

Um dos pilares fundamentais para a criação do euro digital é o fortalecimento da autonomia estratégica da Europa no setor de pagamentos e processamento de transações. Christine Lagarde apontou que a maioria dos pagamentos com cartão no continente é processada por redes de pagamento de propriedade estrangeira, o que tem levado os formuladores de políticas da UE a buscar uma alternativa europeia robusta.

Dados do BCE indicam que, em cerca de 60% dos casos, os pagamentos na Europa utilizam infraestruturas de pagamento controladas por capital estrangeiro, predominantemente redes norte-americanas, mas também chinesas. A dependência dessas redes externas, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas, sublinha a necessidade de uma solução europeia para garantir a soberania do bloco em suas transações financeiras.

Próximos passos e expectativas legislativas

A aprovação do mandato negocial pelo Parlamento Europeu na última quinta-feira foi um marco importante, superando críticas iniciais de eurodeputados que expressaram preocupações com a privacidade e o potencial impacto na utilização de notas e moedas. A expectativa é que as negociações sejam concluídas até dezembro, pavimentando o caminho para a implementação do euro digital.

A iniciativa representa um esforço para modernizar o sistema financeiro europeu, oferecendo uma opção de pagamento digital pública e segura, que coexista com o dinheiro físico. O objetivo é assegurar que a Europa mantenha sua relevância e controle sobre seus próprios sistemas de pagamento em um mundo cada vez mais digitalizado.

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