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Distribuidoras de energia assumem novo papel na flexibilidade do sistema, afirma CEO da Energisa

mais 30 anos – em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Paraíba – e anuncio
Reprodução Agenciainfra

O setor elétrico brasileiro está em um ponto de inflexão, impulsionado pelo avanço da geração solar distribuída e pela crescente eletrificação da economia. Nesse cenário de transformação, as distribuidoras de energia estão sendo chamadas a redefinir sua atuação. Ricardo Botelho, CEO do grupo Energisa, projeta que essas empresas desempenharão um papel crucial como coordenadoras da flexibilidade do sistema elétrico nos próximos anos, um tema que, segundo ele, dominará a agenda regulatória do setor nos próximos dois a três anos.

A necessidade de modernização e adaptação das redes é premente para evitar a sobrecarga e a oneração excessiva dos investimentos. Botelho enfatiza a busca por soluções inteligentes, que incluem sinais econômicos, tecnologias de comando e dispositivos que operem de forma mais eficiente. A visão do executivo aponta para a emergência de um mercado de flexibilidade na distribuição como a principal resposta a esses desafios.

O Novo Papel das Distribuidoras de Energia

A transição energética e a crescente demanda por eletrificação exigem uma nova abordagem das distribuidoras. O CEO da Energisa destaca que a coordenação dos fluxos bidirecionais, gerados pela energia solar distribuída, e a gestão de cargas variáveis, como os carregadores de veículos elétricos, representam desafios significativos para a infraestrutura atual.

Para enfrentar essa complexidade, inovações como baterias, tarifas dinâmicas e mecanismos de resposta da demanda são consideradas essenciais. As baterias, por exemplo, podem armazenar o excedente de energia em períodos de alta geração para uso noturno, equilibrando a oferta e a demanda. Esse conjunto de soluções visa criar um sistema mais inteligente e resiliente, capaz de integrar as novas fontes e demandas de energia de forma eficiente.

Renovação das Concessões e Segurança Jurídica

Recentemente, o grupo Energisa teve quatro de suas concessões renovadas por mais 30 anos nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Paraíba. Ricardo Botelho ressalta a importância desse marco para a segurança jurídica e a previsibilidade dos investimentos no setor. Segundo ele, o processo de renovação foi um dos mais intensos em termos de discussão de política pública, evidenciando o amadurecimento do arcabouço regulatório brasileiro.

A renovação dos contratos estabelece um equilíbrio entre a garantia de previsibilidade para os investidores e a imposição de maiores exigências para as distribuidoras. O foco principal é aprimorar a qualidade do serviço e a satisfação do cliente, além de impulsionar a modernização das redes. O executivo fez questão de enaltecer a postura do governo federal, do ministro Alexandre Silveira, da ANEEL e do TCU, que atuaram em conjunto para essa “orquestração coletiva”.

Investimentos Bilionários e Modernização da Infraestrutura

Com a segurança jurídica dos novos contratos, a Energisa projeta investimentos da ordem de R$ 18 bilhões nos próximos cinco anos nas quatro concessões renovadas. Esse valor representa um aumento significativo, praticamente dobrando o montante investido nas mesmas empresas ao longo da última década. Botelho explica que as regiões atendidas pelas concessões apresentam um crescimento econômico vigoroso, o que motiva a expansão e o reforço da infraestrutura.

A Paraíba, Sergipe, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são estados com forte crescimento em setores como construção civil, turismo, óleo e gás e agronegócio. A demanda por energia nesses locais exige não apenas a conexão de novos consumidores, mas também o reforço das redes com tecnologias mais robustas, como as redes trifásicas. A modernização inclui a implementação de smart grids (redes inteligentes) e smart metering (medidores inteligentes), alinhando-se às diretrizes do Ministério de Minas e Energia para um futuro mais eletrificado e digital.

Desafios e Perspectivas para o Futuro Elétrico

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2034 apontam para uma tendência de eletrificação massiva no Brasil, impulsionada pelo aumento da renda per capita, eletrificação da indústria e digitalização crescente, incluindo a demanda por data centers. Nesse contexto, as distribuidoras não podem ser o “elo fraco” do sistema, necessitando de investimentos contínuos em geração e, fundamentalmente, em redes capazes de conectar pessoas e negócios.

O grande desafio atual reside na coordenação dos fluxos bidirecionais da geração distribuída e na gestão de cargas variáveis. A criação de um mercado de flexibilidade na distribuição, que ainda não existe no Brasil, é vista como a solução para otimizar o uso da energia, evitar reforços caros na rede e garantir a resiliência do sistema diante de eventos climáticos severos. A visão da Energisa é de um futuro onde a inteligência e a flexibilidade serão pilares para um fornecimento de energia mais eficiente e confiável.

Fonte: agenciainfra.com

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