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Mercados globais em 2026: o domínio da infraestrutura de IA e a queda de ativos tradicionais

AP Photo/Hiro Komae
AP Photo/Hiro Komae

A ascensão da infraestrutura de inteligência artificial nos mercados globais

O primeiro semestre de 2026 consolidou um cenário de transformações profundas nos mercados financeiros internacionais. Enquanto o mundo enfrentava tensões geopolíticas no Médio Oriente e oscilações nos preços do petróleo, o capital global concentrou-se de forma agressiva na construção física da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. Este movimento relegou ativos tradicionalmente considerados refúgios de segurança, como o ouro e as criptomoedas, a um desempenho abaixo das expectativas.

economia: cenário e impactos

Segundo análise de Dan Coatsworth, responsável de mercados na AJ Bell, o período foi marcado por uma dicotomia clara. As empresas que fornecem a base tecnológica para a IA foram as grandes vencedoras, enquanto ativos que historicamente prosperam em momentos de incerteza perderam o brilho diante de novas dinâmicas de rendimento e taxas de juros.

O boom dos chips de memória e a corrida tecnológica

O segmento de chips de memória destacou-se como o motor mais potente de valorização no mercado norte-americano. A escassez de oferta frente à demanda massiva por capacidade de computação impulsionou ações de empresas como a SanDisk, que registrou ganhos superiores a 850% em seis meses. Outras companhias do setor, incluindo Western Digital, Micron Technology e Seagate Technology, mais do que triplicaram seus valores de mercado no mesmo período.

Este fenômeno não se restringiu aos Estados Unidos, expandindo-se para mercados emergentes. Fabricantes de chips asiáticos, como TSMC e SK Hynix, foram fundamentais para o desempenho positivo de índices regionais. O KOSPI da Coreia do Sul chegou a duplicar de valor, enquanto o Nikkei 225 do Japão registrou uma alta de aproximadamente 40%.

Desafios para gigantes da tecnologia e ativos de refúgio

Apesar do otimismo inicial, o rali das empresas de memória começou a apresentar sinais de exaustão com correções técnicas recentes. Paralelamente, gigantes como Microsoft e Meta enfrentaram quedas de 24% e 14%, respectivamente, no retorno total. A transição desses negócios para modelos mais intensivos em capital fez com que investidores reavaliassem o valor pago por suas ações, resultando em patamares de negociação mais modestos.

O comportamento dos ativos de proteção também surpreendeu. O ouro, após atingir um pico de 5 594,82 dólares por onça em 29 de janeiro, sofreu uma desvalorização de 28% devido ao aumento das yields das obrigações. O Bitcoin seguiu trajetória semelhante, acumulando uma queda de 28% desde o início do ano, à medida que o capital migrou para o setor tecnológico.

Setores em transformação e o arrefecimento da defesa

No Reino Unido, o mercado foi impulsionado por ofertas de aquisição em empresas como Glencore, Schroders e Segro, evidenciando a busca por valor em blue chips. Em contrapartida, o setor de defesa, que viveu um 2025 exuberante, perdeu fôlego. Empresas como BAE Systems, Rheinmetall e Palantir cederam terreno, refletindo uma mudança na percepção dos investidores sobre o ritmo de crescimento dos orçamentos militares.

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