Líderes dos Estados-membros da União Económica Eurasiática (UEEA) reuniram-se em Astana para uma cimeira estratégica de dois dias, marcando o 12.º aniversário do bloco. O encontro focou-se na aceleração da integração económica, com ênfase na digitalização e na implementação de tecnologias de inteligência artificial para consolidar um mercado comum sem barreiras em uma vasta extensão territorial.
economia: cenário e impactos
O volume de negócios interno do bloco registou um crescimento expressivo no último ano, atingindo a marca de 80 mil milhões de euros. As projeções apresentadas pelo Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, indicam uma trajetória de alta, com a expectativa de que o comércio entre os membros ultrapasse os 85 mil milhões de euros no presente ano, representando um crescimento estimado de 6%.
Integração digital e o papel da inteligência artificial
Durante as deliberações, as delegações priorizaram a criação de um ambiente digital unificado. O objetivo central é reduzir a fragmentação económica através do desenvolvimento de ferramentas digitais e sistemas de inteligência artificial partilhados, que visam otimizar a competitividade dos cinco Estados-membros: Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Arménia.
O Presidente Vladimir Putin propôs a realização de um encontro de alto nível para o próximo ano, dedicado especificamente à cooperação em modelos nacionais de inteligência artificial. A iniciativa pretende conectar infraestruturas críticas de tecnologia da informação e energia, promovendo uma base tecnológica comum para o bloco.
Expansão de rotas logísticas e corredores comerciais
A logística desempenha um papel fundamental na estratégia de crescimento da UEEA. Responsáveis oficiais destacaram que cerca de 85% das mercadorias que transitam da China para a Europa utilizam o chamado Corredor do Meio. A aplicação de inteligência artificial na Rota Internacional de Transporte Transcaspiana é vista como um catalisador para aumentar as exportações não relacionadas com matérias-primas em 30% nos próximos dois anos.
O ministro cazaque do Comércio e Integração, Arman Shakkaliyev, reforçou a meta de transformar o país num hub logístico regional. O plano de ação inclui a modernização ferroviária e o desenvolvimento de infraestruturas nos corredores Norte–Sul e do Meio, com a ambição de atingir um sistema plenamente operacional até 2030, movimentando cerca de 10 milhões de toneladas de carga.
Estabilidade financeira e parcerias externas
O bloco tem consolidado a sua autonomia financeira, com aproximadamente 90% das liquidações comerciais sendo realizadas atualmente em moedas nacionais. Além da cooperação interna, a UEEA mantém acordos comerciais com diversas nações, incluindo Vietname, Emirados Árabes Unidos e Sérvia, sendo a China o principal parceiro externo, responsável por cerca de um terço do comércio total da união.
Para mais detalhes sobre as dinâmicas económicas da região, consulte o portal oficial da Comissão Económica Eurasiática. A cimeira em Astana também serviu para fortalecer laços bilaterais, destacando-se a parceria entre Rússia e Cazaquistão, que já contabiliza investimentos russos superiores a 25 mil milhões de euros no território cazaque.