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Efeito Master corrói candidatura de Flávio Bolsonaro e eleva rejeição

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Reprodução Abril

Existe uma convergência estratégica inusitada no cenário político brasileiro. O governo Lula, o Partido dos Trabalhadores e o próprio Partido Liberal compartilham, por motivos distintos, o desejo pela continuidade da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Contudo, a realidade das urnas parece divergir dos cálculos das cúpulas partidárias.

A ascensão da rejeição eleitoral

Dados recentes da pesquisa Quaest/Genial, divulgada em 10/6, revelam um cenário de desgaste acentuado. Flávio Bolsonaro atingiu a marca de 56% de rejeição, superando o presidente Lula, que registra 53%. O índice de repúdio ao candidato do PL é ainda mais expressivo entre os eleitores independentes, alcançando 64%.

Essa fuga de eleitores é observada desde maio e coincide com o surgimento de denúncias envolvendo o candidato em transações financeiras controversas. O impacto negativo, batizado de “Efeito Master”, tem gerado uma corrosão constante na imagem pública do político a poucos meses do primeiro turno.

O impacto das conexões com o Banco Master

O centro da controvérsia reside nos negócios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Vorcaro, atualmente detido sob acusação de fraudes financeiras bilionárias, encontra-se em processo de delação premiada, o que amplia o risco político para o candidato.

A percepção do eleitorado é de profunda desconfiança. Cerca de 70% dos entrevistados suspeitam das interações entre ambos, enquanto 58% acreditam na possibilidade de o candidato estar ocultando envolvimento em atividades ilegais. A convicção de que o político tinha ciência das irregularidades de Vorcaro atinge 65% dos eleitores.

Contradições e desdobramentos da investigação

A situação ganhou contornos mais críticos após a confirmação de que Flávio Bolsonaro solicitou 134 milhões de reais ao ex-banqueiro em novembro do ano passado. Investigações policiais indicam que, antes mesmo dessa solicitação, o candidato já teria recebido ao menos 61 milhões de reais.

A narrativa foi reforçada por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que relatou uma visita do candidato a Vorcaro em São Paulo, ocorrida após a prisão do empresário. Na ocasião, o ex-banqueiro já cumpria prisão domiciliar utilizando tornozeleira eletrônica, o que gerou um desgaste severo na credibilidade da campanha.

Desafios regionais e incertezas políticas

Atualmente, a força de Flávio Bolsonaro está restrita à região Sul. O cenário no Sudeste, que concentra a maior parcela do eleitorado nacional, mostra uma tendência de crescimento para o adversário Lula, que saltou de 31% para 37% nas últimas quatro semanas.

O futuro da candidatura permanece sob forte influência das investigações sobre as fraudes no Banco Master. Em Brasília, crescem as dúvidas sobre a viabilidade da campanha, que se vê cada vez mais refém dos desdobramentos policiais e da percepção negativa do eleitorado.

Fonte: veja.abril.com.br

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