Uma série de deslizamentos de terra e enxurradas de lama, desencadeados por um terremoto, provocou uma devastação significativa na fronteira entre o Nepal e o Tibete. O desastre natural resultou na morte de pelo menos 98 pessoas e deixou 834 indivíduos desaparecidos, conforme os números mais recentes divulgados pelas autoridades locais. A catástrofe transformou rios em verdadeiros mares de lama, impactando comunidades e infraestruturas em diversas regiões.
Os esforços de busca e resgate estão em andamento, com equipes trabalhando intensamente para localizar os desaparecidos e prestar assistência às vítimas. A situação é de extrema gravidade, com a mobilização de forças de segurança e o apoio de governos para lidar com a escala da tragédia.
A devastação na fronteira entre Nepal e Tibete
A tragédia se concentrou nas áreas fronteiriças, com o Nepal registrando a maioria das vítimas. A polícia nepalesa confirmou 95 óbitos em seu território, enquanto o Tibete, região autônoma da China, contabilizou três mortes. O número de desaparecidos é alarmante, totalizando 569 no Nepal e 265 no Tibete, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
Entre os desaparecidos no Nepal, destacam-se 85 membros das forças de segurança, incluindo militares e policiais, que estavam em serviço na região. Além disso, 484 turistas foram reportados como sumidos, sendo 391 estrangeiros e 93 nepaleses. A maioria dos turistas estrangeiros é de origem indiana, mas também há registros de cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul.
Os distritos nepaleses de Rasuwa, Nuwakot e Dhading foram os mais atingidos, com Rasuwa sofrendo a maior parte da destruição estrutural. As informações sobre os desaparecidos estão sendo verificadas em coordenação com agências de turismo, guias e autoridades locais, em meio a um cenário de grande incerteza.
Terremoto como gatilho da catástrofe
A causa principal da enchente e dos deslizamentos foi um terremoto que ocorreu na manhã do incidente, por volta das 8h37 (horário do Nepal). O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, informou que o tremor gerou um grande deslizamento de terra que bloqueou o curso do rio Bhote Koshi, resultando em uma inundação torrencial.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o terremoto com uma magnitude de 4,4 e profundidade de 10 km. O epicentro foi localizado a 77 km a norte-noroeste da vila de Kodari, no Nepal. Análises de imagens de satélite, realizadas pelo órgão nepalês de gestão de riscos, sugerem que o tremor também pode ter provocado uma avalanche de neve e rochas na fronteira entre Nepal e China, que inundou o rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi.
Câmeras de segurança capturaram o momento em que o deslizamento de terra atingiu a vila de Rasuwa, evidenciando a força devastadora do fenômeno. A interrupção do fluxo do rio e o subsequente transbordamento causaram uma onda de lama e detritos que varreu vilarejos e infraestruturas ao longo de seu caminho.
Esforços de resgate e mobilização internacional
Diante da magnitude do desastre, as autoridades de ambos os países afetados agiram rapidamente. No Nepal, forças de segurança e o Exército foram mobilizados para as áreas mais atingidas, concentrando-se nas operações de busca e resgate e na assistência às vítimas. A prioridade é localizar os desaparecidos e fornecer atendimento médico aos feridos.
Do lado chinês, o presidente Xi Jinping determinou a mobilização máxima para busca e resgate no sudoeste do país, especialmente no posto fronteiriço de Gyirong, na Região Autônoma de Xizang (Tibete). O líder chinês enfatizou a necessidade de evacuação urgente dos moradores em áreas de risco e a priorização do atendimento médico imediato para conter o avanço do número de vítimas fatais.
A cooperação entre as nações é crucial para enfrentar os desafios impostos por este desastre natural, que ressalta a vulnerabilidade da região a eventos geológicos e climáticos extremos. Para mais informações sobre a gestão de riscos de desastres na região, consulte o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres.
Fonte: correiodecarajas.com.br