EXCLUSIVO: Dnit vai implodir as duas pontes do Itacaiunas e construir outras no lugar

Trânsito de Marabá, que já está caótico, deve piorar ainda mais quando as obras iniciarem

As fissuras na ponte mais nova foram identificadas em 2017, mas só em 2025 o Dnit começou a interdição até o anúncio de que vai precisar destruir as duas pontes//Fotos: Evangelista Rocha

Após mais de seis meses de análises técnicas detalhadas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decidiu que será necessário implodir as duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá. A medida atinge tanto a estrutura mais recente, com apenas 16 anos de existência, quanto a mais antiga, que já ultrapassa quatro décadas de uso.

A informação foi repassada à Reportagem do Correio de Carajás na tarde de quarta-feira (18) e confirmada por uma fonte do DNIT, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (19). O órgão federal prepara, inclusive, uma nota oficial que deve ser divulgada até esta sexta-feira, comunicando formalmente a decisão à população.

De acordo com a fonte, a ponte mais nova apresenta problemas estruturais considerados insanáveis, o que inviabiliza qualquer tentativa de recuperação. Já a ponte mais antiga, com mais de 45 anos de funcionamento, sofre com desgaste natural e opera há anos com sobrecarga superior à prevista em seu projeto original.

Equipe do DNIT realizou os trabalhos preliminares nas pontes do Itacaiunas em novembro de 2025

A estratégia inicial do DNIT é implodir primeiro a ponte mais recente. Durante esse período, a estrutura antiga passaria a operar em sistema de mão dupla, concentrando todo o fluxo de veículos. Após a construção de uma nova ponte, a mais antiga também será implodida para dar lugar a outra estrutura moderna.

A decisão é considerada drástica e deve provocar impactos profundos na mobilidade urbana e regional. As pontes são fundamentais para o tráfego na Rodovia Transamazônica, servindo de ligação não apenas entre bairros de Marabá, mas também entre municípios e até estados.

Nos próximos dias, o DNIT deve se reunir com representantes da Prefeitura de Marabá para apresentar o plano e discutir medidas emergenciais. Entre os pontos críticos está a necessidade de melhorar os acessos à Ponte Ana Miranda, inaugurada no final de 2024, que deverá absorver parte significativa do tráfego.

O problema, no entanto, é estrutural. As vias de acesso ao Bairro Vale do Itacaiunas são estreitas e atualmente não comportam o fluxo intenso de veículos pesados. Caminhões, inclusive, estão impedidos de utilizar a nova ponte, o que exigiria desapropriações, alargamento de vias e até a redistribuição do trânsito na Avenida 2000.

Apesar da urgência, o cronograma ainda está distante de uma solução prática. As licitações para a implosão e construção da primeira ponte devem ocorrer apenas no final deste ano. Isso significa que a população de Marabá ainda terá de conviver por um longo período com o atual cenário de congestionamentos, restrições e incertezas.

O custo estimado de cada nova ponte gira em torno de R$ 120 milhões, podendo ultrapassar esse valor. No entanto, ainda não há previsão orçamentária definida na União para viabilizar as obras, o que aumenta a preocupação sobre prazos e execução.

Outro ponto que permanece em aberto é a responsabilidade técnica pela ponte mais nova, construída pela CMT Engenharia. Não há confirmação se a estrutura ainda está dentro do período de garantia contratual.

Perfurações no meio da ponte visavam analisar a qualidade da estrutura onde houve as fissuras

Fonte : Ulisses Pompeu e Josseli Carvalho

CORRREIO CARAJÁS

DNIT

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima