A cidade de Castanhal, localizada a 60 quilômetros da capital paraense, torna-se palco de um importante encontro de valorização cultural e resistência social. Nos dias 14 e 15, o município recebe a 1ª Feira da Cultura Afro-Brasileira: Ancestralidade, Terreiro e Território, um evento que busca integrar formação acadêmica, expressão artística e reflexão crítica sobre a identidade nacional.
O encontro acontece nas dependências da Usina da Paz, situada no bairro Jaderlândia. Com entrada gratuita, a iniciativa convida a comunidade a explorar as raízes históricas e a relevância contemporânea das tradições de matriz africana na região amazônica, promovendo um intercâmbio de saberes entre especialistas, lideranças religiosas e o público em geral.
Diálogo sobre o enfrentamento ao racismo religioso
Um dos pilares centrais da programação é o debate sobre o racismo religioso, uma problemática que ainda desafia a convivência democrática no Brasil. A organização do evento estruturou mesas específicas para discutir mecanismos de identificação e estratégias de combate a essa forma de discriminação, que frequentemente atinge as comunidades de terreiro.
O objetivo é fornecer ferramentas para que a sociedade possa reconhecer e denunciar violações, promovendo um ambiente de respeito mútuo. A discussão ganha contornos urgentes ao abordar o papel fundamental das mulheres na preservação dessas tradições e na liderança das casas de culto.
Saberes ancestrais e identidade cultural
Além das discussões políticas, a feira dedica espaço significativo à preservação dos conhecimentos tradicionais. As oficinas temáticas e rodas de conversa abordam temas como o uso terapêutico de plantas medicinais e a importância da culinária de matriz africana como um elo de identidade cultural e resistência histórica.
A comunicação popular dentro dos terreiros também é um ponto de destaque na agenda formativa. Esses espaços de troca reforçam a importância de manter vivos os saberes ancestrais, garantindo que a memória cultural seja transmitida às novas gerações de forma autêntica e valorizada.
Exposição e fortalecimento econômico
A estrutura do evento conta com a participação de 16 expositores, que apresentam uma vitrine da riqueza material da cultura afro-brasileira. O público poderá encontrar guias, ervas, vestimentas e diversos itens ritualísticos, que refletem a diversidade e o artesanato produzidos por essas comunidades.
Para mais informações sobre políticas de igualdade racial no estado, consulte o portal oficial do Governo do Pará. A feira reafirma o compromisso com a construção de um ambiente de valorização das comunidades tradicionais, consolidando-se como um marco para a região metropolitana de Belém.
Fonte: aprovinciadopara.com.br