A violência contra meninas e mulheres no Brasil, especialmente o feminicídio, tem mobilizado lideranças políticas em uma frente unificada. A campanha nacional “Vivas e Livres” emerge como uma resposta contundente a esse cenário alarmante, reunindo 14 candidatas ao Senado nas Eleições 2026. A iniciativa visa fortalecer o enfrentamento a crimes de gênero, buscando aprimorar as políticas públicas de proteção e responsabilização.
A mobilização, articulada pela ex-deputada federal Áurea Carolina, de Minas Gerais, integra figuras de diversas trajetórias políticas e estados, como a candidata ao Senado por Pernambuco, Marília Arraes. Juntas, elas defendem uma agenda comum para ampliar a segurança e a proteção das brasileiras, reforçando a necessidade de uma atuação legislativa mais eficaz.
A Campanha Vivas e Livres e a União de Lideranças
A campanha “Vivas e Livres” congrega um grupo expressivo de mulheres que aspiram a cadeiras no Senado Federal, com o propósito de levar a pauta do combate à violência de gênero para o centro do debate legislativo. Entre as participantes, além de Marília Arraes e Áurea Carolina, destacam-se nomes como Marina Silva, Manuela d’Ávila, Benedita da Silva e Eliziane Gama, representando a diversidade e a força do movimento em diferentes regiões do país.
Como parte fundamental dessa mobilização, as candidatas lançaram um abaixo-assinado nacional. A iniciativa convida a sociedade civil a se engajar, apoiando uma agenda que prioriza a prevenção da violência, o acolhimento adequado às vítimas e a responsabilização rigorosa dos agressores, buscando um compromisso coletivo para transformar a realidade atual.
O Cenário Alarmante do Feminicídio no Brasil
A urgência da campanha “Vivas e Livres” é sublinhada pelo agravamento contínuo dos índices de violência contra as mulheres no país. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelaram que 2025 marcou o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime em 2015, com 1.568 mulheres assassinadas. Esse número representa um aumento de quase 5% em relação ao ano anterior, evidenciando uma escalada preocupante.
O cenário de 2026 mantém-se crítico, com o Ministério da Justiça contabilizando 399 vítimas somente no primeiro trimestre, tornando-o o período mais letal já registrado na série histórica. Atualmente, uma mulher é assassinada a cada cinco horas no Brasil, um dado que reforça a necessidade de ações imediatas e coordenadas. Marília Arraes enfatizou a gravidade da situação, afirmando que “Nenhuma mulher deveria viver com medo de ser a próxima vítima da violência. O feminicídio é uma tragédia que exige resposta firme do Estado e compromisso permanente da sociedade.”
Desafios na Proteção e Propostas Legislativas
Apesar da existência de uma rede de proteção no país, composta por Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), centros de referência, Defensoria Pública, Ministério Público e juizados especializados, sua estrutura ainda se mostra insuficiente. A deficiência é particularmente acentuada em cidades do interior, onde menos de 5% dos municípios com até 100 mil habitantes possuem uma DEAM, deixando muitas mulheres desamparadas.
Áurea Carolina destacou que o combate ao feminicídio deve iniciar antes que a violência atinja seu ponto mais extremo. “O feminicídio nunca começa no momento do crime. Ele é o ponto final de uma sequência de violências físicas e/ou psicológicas, que muitas vezes já eram conhecidas pela família, pelos vizinhos ou pelo próprio Estado. Por isso, combater o feminicídio significa fortalecer a prevenção. Impedir que elas sejam deixadas sozinhas diante da violência.”
Caso eleitas, as 14 candidatas comprometem-se a defender no Senado uma agenda legislativa robusta. As propostas incluem a ampliação do orçamento para as redes de enfrentamento à violência, a regulamentação e implementação da Lei Maria da Penha nas Escolas, e o fortalecimento da fiscalização de medidas protetivas de urgência. Além disso, buscam destinar emendas parlamentares para ações de prevenção e combate, e responsabilizar as plataformas digitais pela violência de gênero online.
Representação Feminina e o Combate à Misoginia Digital
A campanha “Vivas e Livres” também lança luz sobre a baixa representação feminina no Senado Federal. Embora as mulheres constituam a maioria da população brasileira, elas ocupam menos de 20% das cadeiras na Casa. Com dois terços das vagas em disputa em 2026, a eleição representa uma oportunidade crucial para ampliar a presença feminina no Parlamento e garantir que as pautas de gênero recebam a devida atenção.
Outro ponto de alerta da mobilização é o crescimento de conteúdos misóginos nas redes sociais. Uma pesquisa do NetLab da UFRJ, em colaboração com o Ministério das Mulheres, revelou que influenciadores da “machosfera” expandiram significativamente seu alcance nos últimos anos. Em 2026, cerca de 90% dos canais monitorados permanecem ativos, somando mais de 23 milhões de inscritos. Áurea Carolina ressaltou a necessidade de “combater essas narrativas e quem lucra com a disseminação do ódio precisa ser responsabilizado.”
A sociedade civil é convidada a participar ativamente do abaixo-assinado da campanha “Vivas e Livres”, disponível para fortalecer o compromisso nacional pelo enfrentamento ao feminicídio e à violência contra meninas e mulheres. Para assinar e apoiar esta causa, basta acessar o site oficial da iniciativa.
Fonte: blogdomagno.com.br