O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil registrou uma notável desaceleração nos preços em julho. Dados do IFP (Índice Frete.com de Preços) revelam que o valor médio do frete rodoviário recuou 2,7% em comparação com o mês anterior, encerrando o período em R$ 0,403 por tonelada/km rodado. Essa queda mensal, no entanto, não apaga o cenário de valorização a longo prazo, visto que o preço atual ainda se encontra 17,2% acima do registrado em julho de 2025, quando a média era de R$ 0,344.
A análise do mercado de fretes aponta para múltiplos fatores que contribuíram para essa dinâmica de preços, com destaque para a influência do custo do combustível e a oferta de veículos. Compreender essas variáveis é fundamental para transportadoras, embarcadores e para a economia como um todo, que depende da eficiência logística para o escoamento de sua produção.
Recuo no frete rodoviário: um panorama nacional
A redução observada no preço médio do frete rodoviário em julho reflete uma série de ajustes no mercado. A diminuição de 2,7% no valor por tonelada/km rodado, conforme o Índice Frete.com de Preços, indica uma pressão para baixo nos custos de transporte. Apesar dessa variação mensal, o valor de R$ 0,403 por tonelada/km mantém-se em um patamar elevado quando comparado ao ano anterior.
Este cenário sugere uma adaptação do mercado às condições econômicas e operacionais vigentes. A flutuação dos preços do frete é um indicador importante da saúde do setor de logística e tem implicações diretas para diversos segmentos da indústria e do comércio.
O papel do diesel e a influência regulatória no custo do frete
A principal força motriz por trás da queda do frete em julho foi o comportamento do preço do diesel. A redução no custo do combustível impactou diretamente os custos variáveis das operações de transporte, especialmente aquelas que cobrem distâncias mais longas. Essa diminuição nos insumos básicos é um alívio para as transportadoras, que frequentemente operam com margens apertadas.
Em consonância com essa tendência, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) também ajustou seu preço de referência para o diesel S-10. O valor utilizado no cálculo do piso mínimo do frete foi reduzido de R$ 7,35 para R$ 6,97, reforçando o ambiente de custos mais baixos para o setor. Essa medida regulatória reflete as condições de mercado e busca manter a competitividade do transporte rodoviário.
Desempenho regional: variações e tendências no transporte de cargas
A queda no valor médio do frete não foi uniforme em todo o território nacional, com quatro das cinco regiões do país registrando recuo. O Sudeste liderou essa tendência com a maior redução, de 2,9%, mantendo-se, contudo, como a região com o frete mais elevado, a R$ 0,430 por tonelada/km. O Nordeste e o Sul também apresentaram quedas significativas, de 2,7% e 2,6% respectivamente.
No Centro-Oeste, a diminuição foi mais modesta, de 0,3%. A região Norte, por sua vez, contrariou a tendência nacional, registrando uma alta de 0,9% em julho, embora tenha permanecido com o menor valor médio de frete entre as regiões, a R$ 0,321 por tonelada/km. Essas variações regionais destacam as particularidades de cada mercado local e suas demandas específicas.
Tipos de carroceria e a dinâmica da oferta de caminhões
A análise por tipo de carroceria revelou comportamentos distintos no mercado de fretes. As caçambas foram a única categoria a registrar alta mensal, com um aumento de 3,1% em julho. No acumulado do ano de 2026, essa categoria demonstra um crescimento robusto de 20,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, seguida pelos graneleiros, com 15,1% de alta.
Em contrapartida, os preços para graneleiros, baús, sider e veículos de grade baixa caíram em comparação com junho. Entre as principais carrocerias, os caminhões baú apresentaram o maior valor médio em julho, de R$ 0,655 por tonelada/km, seguidos pelos sider, com R$ 0,540, e pelos graneleiros, com R$ 0,345. Além disso, o levantamento apontou um aumento na disponibilidade de caminhões em relação à quantidade de cargas, com a média nacional de motoristas disponíveis por carga subindo de 3,71 para 4,17. Índices acima de 2 são considerados indicativos de excesso de oferta de fretes, o que também contribui para a pressão de baixa nos preços.
Para mais informações sobre o mercado de fretes e análises setoriais, consulte a Agência iNFRA.
Fonte: agenciainfra.com