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Ausências notáveis e o enigma do novo líder marcam o funeral de Ali Khamenei em Teerão

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Reprodução Euronews

A capital iraniana, Teerão, foi palco de uma cerimônia fúnebre de grande envergadura em 5 de julho de 2026, dedicada ao antigo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e a quatro membros de sua família. O evento, realizado no vasto complexo religioso e cultural do Musalá Imam Khomeini, ocorreu com um atraso significativo de 128 dias em relação à data de suas mortes, atribuído a rigorosas considerações de segurança. A cerimônia, que deveria ser um momento de coesão nacional, foi notavelmente marcada pela ausência de figuras políticas proeminentes e pelo mistério em torno do paradeiro do novo líder do país.

funeral: cenário e impactos

Os falecimentos de Ali Khamenei, sua filha Boshra Khamenei, seu genro Mesbah al-Hoda Bagheri, sua nora Zahra Haddad-Adel e sua neta de 14 meses, Zahra Mohammadi Golpayegani, ocorreram nos primeiros momentos dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro. A demora na realização das orações fúnebres públicas sublinha a complexidade do cenário político e de segurança que se seguiu a esses eventos, culminando em uma cerimônia que atraiu uma vasta multidão, mas também gerou questionamentos sobre a unidade interna do Irã.

A cerimônia fúnebre e seus participantes

A oração fúnebre em Teerão foi conduzida pelo aiatolá Jafar Sobhani, uma das máximas autoridades religiosas xiitas. A estrutura do evento foi dividida em três fases distintas: a primeira dedicada ao corpo de Ali Khamenei, seguida pelas orações pelos corpos de Boshra Khamenei, Mesbah al-Hoda Bagheri e Zahra Haddad-Adel, e, por fim, pela pequena Zahra Mohammadi Golpayegani. Este formato sublinhou a tragédia que atingiu a família do antigo líder.

No exterior do Mosalla, um estrado simbólico com uma cadeira, mesa e microfone foi montado, evocando os discursos históricos de Ali Khamenei. Imagens divulgadas pela mídia iraniana confirmaram a presença de três dos quatro filhos de Ali Khamenei na primeira fila, assim como o pai de Zahra Mohammadi Golpayegani e Gholam-Ali Haddad-Adel, sogro de Mojtaba Khamenei. Além dos familiares, altos funcionários dos três poderes do Estado, como Masoud Pezeshkian, Mohammad Bagher Ghalibaf, Gholamhossein Mohseni-Ejei e Sadeq Amoli Larijani, presidente do Conselho de Discernimento da Conveniência do Regime, também marcaram presença, ao lado de Mohammad Mohammadi Golpayegani, chefe de gabinete de Ali Khamenei, e Ahmad Vahidi, comandante-chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

O enigma do novo líder: Mojtaba Khamenei

Uma das ausências mais notáveis e comentadas foi a de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e o recém-nomeado líder do Irã. Anteriormente, havia especulações de que Mojtaba poderia liderar a oração fúnebre de seu pai, um gesto que simbolizaria sua ascensão ao poder. No entanto, foi oficialmente anunciado que ele não o faria. O paradeiro do quarto filho de Ali Khamenei, o atual líder da República Islâmica, permanece desconhecido.

Relatos indicam que Mojtaba Khamenei teria sido ferido no mesmo ataque que ceifou a vida de seu pai, mãe e esposa. Desde o início da guerra, no final de fevereiro, ele não fez aparições públicas, comunicando-se com seus apoiadores exclusivamente por meio de comunicados escritos. Essa situação adiciona uma camada de mistério e incerteza à liderança iraniana em um momento de transição.

Ausências políticas e críticas internas

A cerimônia fúnebre de Ali Khamenei também foi marcada pela ausência de ex-presidentes e outras figuras políticas de alto escalão que serviram durante sua liderança. Meios de comunicação iranianos não registraram a presença ou mencionaram nomes como Mohammad Khatami, Hassan Rouhani e Mahmoud Ahmadinejad, todos antigos chefes de Estado do Irã. Essa lacuna não passou despercebida e gerou críticas internas.

Mohammad Ali Abtahi, ex-chefe de gabinete de Mohammad Khatami, expressou sua decepção nas redes sociais. Ele descreveu o evento como uma “oportunidade histórica” para demonstrar coesão interna e sugeriu que seria “desejável” que todas as figuras que ocuparam altos cargos sob a liderança de Khamenei, incluindo aqueles com supostas divergências, tivessem sido oficialmente convidadas. Segundo Abtahi, a presença dessas personalidades teria projetado uma imagem mais forte de solidariedade e unidade nacional, uma mensagem crucial em tempos de crise.

Repercussão internacional e dúvidas sobre o luto

A cerimônia fúnebre de Ali Khamenei também atraiu a atenção internacional, com observadores externos acompanhando os desdobramentos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista ao site noticioso Axios, afirmou estar monitorando o funeral. Ele expressou surpresa ao ver algumas pessoas no Irã chorando durante a cerimônia, indicando que acreditava que a população iraniana nutria sentimentos de aversão por Ali Khamenei.

Trump foi além, sugerindo que “talvez estas lágrimas nem sejam verdadeiras”, após uma breve pausa. Essa declaração reflete a percepção externa sobre a complexidade da política iraniana e a polarização de opiniões em relação ao antigo líder, mesmo em um momento de luto nacional. A cobertura internacional da Agência de Notícias Reuters destacou a complexidade do cenário.

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