A Câmara Municipal de Marabá foi palco de um intenso debate político durante a audiência pública de avaliação das metas fiscais referente ao primeiro quadrimestre de 2026. O encontro, realizado em 23 de junho, expôs um cenário financeiro paradoxal: enquanto o Poder Executivo Municipal ostenta um saldo de R$ 546 milhões em caixa, a população enfrenta carências severas em áreas fundamentais como saúde, educação e infraestrutura básica.
Contraste entre superávit financeiro e deficiência nos serviços públicos
Os números apresentados pelo secretário municipal de Finanças, Karam El Hajjar, indicaram uma receita corrente líquida de R$ 628 milhões e um crescimento tributário expressivo de 17% no período. No entanto, a solidez dos indicadores econômicos não se traduziu em melhorias perceptíveis para os cidadãos. Vereadores presentes na sessão confrontaram o Executivo sobre a retenção desses valores, enquanto relatos de falta de medicamentos em postos de saúde e ausência de materiais escolares nas instituições de ensino tornam-se cada vez mais frequentes.
Críticas à capacidade de gestão e aplicação de recursos
O clima de insatisfação foi unânime entre os parlamentares, que classificaram a situação como uma falha grave de planejamento. O presidente da Câmara, Ilker Moraes, foi enfático ao declarar que os dados apresentados ratificam uma incapacidade de gestão por parte da Prefeitura. A vereadora Vanda Américo reforçou a necessidade de rever o cenário atual, argumentando que o dinheiro público deve ser obrigatoriamente revertido em bem-estar social, algo que, segundo ela, não está ocorrendo em Marabá.
Desequilíbrio geográfico e negligência com a zona rural
Além da escassez de serviços básicos, o debate trouxe à tona a desigualdade na distribuição de investimentos. Foi apontada uma concentração desproporcional de obras de pavimentação no núcleo Cidade Nova, em detrimento de outras regiões. A zona rural, em particular, foi descrita como desassistida, recebendo apenas R$ 1,9 milhão para a agricultura familiar. O vereador Marcos Paulo da Agricultura destacou que o montante é insuficiente frente à extensão territorial do município, sugerindo que o valor deveria ser de, no mínimo, R$ 6 milhões para atender às demandas dos pequenos produtores.
Despesas correntes e ausência de cronograma de investimentos
O relatório financeiro revelou ainda um descompasso preocupante: as despesas correntes cresceram mais de 20%, totalizando cerca de R$ 400 milhões, superando o ritmo de crescimento da receita tributária. Apesar das cobranças, a Prefeitura não apresentou um cronograma detalhado para a aplicação dos recursos acumulados em conta. O secretário de Planejamento limitou-se a exaltar a saúde financeira do município, sem oferecer respostas concretas sobre a destinação do montante milionário. Para mais detalhes sobre o acompanhamento das contas públicas, consulte o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará.
Fonte: correiodecarajas.com.br