O grupo J&F estabeleceu uma meta estratégica ambiciosa para o setor de energia: elevar a movimentação de gás natural de sua comercializadora, a MGas, para 30 milhões de metros cúbicos por dia até 2030. O volume representa um crescimento de 2,5 vezes em relação à marca atual de 12 milhões de metros cúbicos diários, consolidando a presença do conglomerado no mercado de infraestrutura energética.
O anúncio foi realizado por Thiago Arakaki, diretor de Trading e Originação de Gás Natural do grupo, durante a Gas&Energy Week, realizada no Rio de Janeiro. O incremento no volume será direcionado prioritariamente para suprir o consumo industrial interno do grupo e alimentar suas usinas termelétricas, incluindo projetos contemplados no último leilão de potência.
Estratégia de infraestrutura e terminais de GNL
Para viabilizar essa meta, a companhia aposta na integração de sua produção própria no Cone Sul e na implementação de novos terminais de GNL. A empresa, por meio de seu braço de exploração e produção, a Fluxus, já mantém operações na Argentina e na Bolívia, além de extração de petróleo na Venezuela.
O plano de infraestrutura inclui dois terminais estratégicos. O primeiro, em Santa Catarina, é uma unidade arrendada da NFE com contrato de dez anos, cuja operação está prevista para julho de 2025. O segundo, um projeto greenfield localizado em Pernambuco, tem conclusão estimada para outubro de 2028, fortalecendo a capacidade logística do grupo.
Investimentos no Cone Sul e biometano
As operações na Argentina são fundamentais para o plano de expansão. Atualmente, a MGas gerencia cerca de 1 milhão de metros cúbicos por dia de produção própria no país vizinho, com planos de dobrar esse montante. A empresa segue em análise de novas oportunidades de crescimento, tanto orgânico quanto inorgânico, na região.
Paralelamente, o grupo investe na transição energética através do biometano. A meta é utilizar o combustível para abastecer parte de sua frota de 12 mil caminhões. O objetivo é alcançar a marca de mil veículos movidos a biometano até 2027, integrando sustentabilidade à logística do conglomerado.
Perspectivas para o mercado nacional de gás
A expectativa do grupo é que o mercado brasileiro de gás passe por uma mudança de paradigma entre 2028 e 2029. Segundo Thiago Arakaki, esse período será marcado pelo amadurecimento de novas regulações e pela entrada em operação de grandes projetos de produção, como o campo de Raia, desenvolvido pela Petrobras e Equinor.
A entrada dessas novas fontes de oferta, somada à demanda de novas termelétricas, deve criar um cenário mais dinâmico para o setor. O grupo J&F posiciona-se, portanto, para capturar esses resultados, consolidando sua infraestrutura e diversificando suas fontes de suprimento para atender às necessidades industriais e energéticas do país.
Fonte: agenciainfra.com