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Investigação do Banco Master: Congresso rejeita CPMI e PF revela novas conexões

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O cenário político em Brasília foi marcado por uma nova recusa na abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, rejeitou requerimentos de parlamentares que cobravam a instauração do colegiado, reiterando que a decisão sobre a leitura de tais matérias é uma prerrogativa discricionária da Mesa do Congresso Nacional.

investigação: cenário e impactos

A declaração ocorreu durante uma sessão do Congresso Nacional, que tinha como pauta principal a análise de um veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Apesar do foco oficial, diversos parlamentares aproveitaram os pronunciamentos iniciais para manifestar apoio à criação de uma CPMI, visando apurar as suspeitas de fraudes financeiras que envolvem o Banco Master e seu ex-presidente, Daniel Vorcaro, que está detido desde março pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.

Rejeição da CPMI e a prerrogativa da presidência

A posição do presidente do Congresso sublinha a autonomia da Mesa em decidir o momento e a forma de tramitação de requerimentos de inquérito. Atualmente, existem pelo menos cinco pedidos protocolados para investigar o Banco Master, incluindo um requerimento de CPI exclusivo da Câmara, três do Senado e um pedido de CPI mista, que envolveria tanto deputados quanto senadores.

Apesar da rejeição no âmbito legislativo, a questão pode ter um desfecho diferente no judiciário. Tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos, tanto da oposição quanto da base governista, para a abertura do colegiado. Uma eventual decisão do STF poderia compelir o parlamento a criar a comissão, um precedente já observado em casos anteriores, como a CPI da Covid.

O avanço das investigações da Polícia Federal

Enquanto o debate político sobre a CPMI se intensifica, a Polícia Federal (PF) prossegue com as investigações, avaliando a relevância de possíveis delações. Segundo o diretor de Estratégia da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, as delações do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, não seriam consideradas essenciais para o andamento da apuração, já classificada como uma das maiores crises políticas e financeiras recentes.

Werneck indicou que o que já foi descoberto até o momento torna essas delações complementares, úteis principalmente para o rastreamento do dinheiro, o popular “follow the money”. No entanto, a delação de Vorcaro, até agora, estaria muito aquém do conhecimento da PF, sem acrescentar informações significativas sobre o modus operandi da organização criminosa ou o papel dos envolvidos. Por outro lado, a delação de Paulo Henrique Costa é vista como mais madura e próxima de ser homologada, apesar de uma recente mudança em sua equipe jurídica.

Conexões surpreendentes e emendas parlamentares

As investigações têm revelado conexões inesperadas, com os celulares de envolvidos se mostrando uma fonte crucial de informações. Em um desdobramento que liga o caso Master a outras apurações de grande repercussão, como o assassinato de Marielle Franco, os aparelhos do policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe” e condenado no caso Marielle, apontaram um caminho de uso de emendas parlamentares.

Os dados dos celulares de “Peixe” indicaram que ele teria intermediado emendas para uma ONG suspeita de ter ligações com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora. O Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, que administraria uma escolinha de futebol, teria recebido R$ 240 milhões em emendas. Entre elas, uma de R$ 199 mil do senador Flávio Bolsonaro. A assessoria do parlamentar afirmou que não é seu papel auditar o uso das emendas por terceiros, mas o fato adiciona um novo elemento de complexidade às investigações, cujo potencial explosivo é destacado por Flávio Werneck.

Fonte: blogdomagno.com.br

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