Documentos tornados públicos após a retirada de sigilo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) trouxeram à tona detalhes sobre o contrato firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes e o antigo Banco Master. O instrumento jurídico previa a prestação de serviços de consultoria estratégica e jurídica em procedimentos que envolviam órgãos de controle, como a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Escopo e valores do contrato com o Banco Master
O contrato estabelecia que o escritório ficaria responsável por uma atuação ampla, incluindo a gestão de inquéritos policiais e processos administrativos. Além da consultoria, a empresa deveria conduzir processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário e implementar um programa de compliance interno para a instituição financeira.
O valor total acordado para os serviços era de R$ 131 milhões, montante que seria quitado em 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. No entanto, os pagamentos foram interrompidos em novembro do ano passado, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Em nota oficial, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou ter entregue 36 pareceres jurídicos e opiniões legais, sustentando a prestação de ampla consultoria e atuação jurídica.
Articulações e investigações sobre Daniel Vorcaro
Paralelamente, a Polícia Federal detalhou em relatórios as manobras do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para evitar a deflagração da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, Vorcaro possuía conhecimento antecipado sobre as ações policiais e utilizava servidores do Banco Central para forçar reuniões virtuais, tentando influenciar o andamento de procedimentos internos em seu favor.
A PF aponta que a tentativa de fuga de Vorcaro, preso em 17 de novembro do ano passado no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para a Europa, não foi uma coincidência. O banqueiro chegou a ser solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região cerca de 10 dias após a prisão, mas novos elementos, incluindo comunicações com autoridades, embasaram um pedido de prisão preventiva assinado em 27 de fevereiro de 2026.
Troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro
O caso ganhou contornos adicionais com a revelação de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Relatórios da Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça em 1º de setembro, indicam que o magistrado discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de uma operação policial contra ele.
Em uma das mensagens trocadas no dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionou o ministro sobre a necessidade de deixar o país antes da segunda-feira seguinte. Quarenta e oito horas após a interação, o banqueiro foi detido pela Polícia Federal. As informações completas sobre o caso podem ser consultadas no portal g1.
Fonte: blogdomagno.com.br