Marabá foi palco de um evento cultural significativo com o lançamento de “Castanheiras do Asfalto”, a mais recente obra do jornalista e escritor Ulisses Pompeu. O livro, fruto de uma década de pesquisa e dedicação, mergulha na profunda conexão entre a cidade e a majestosa castanheira, árvore que moldou a economia e a identidade local. A celebração ocorreu sob a sombra de um exemplar gigante, simbolizando a relevância do tema para a comunidade e a urgência de seu debate.
A publicação não apenas documenta um passado rico, mas também projeta um futuro, instigando a comunidade a se tornar guardiã de um patrimônio natural e cultural. A repercussão do lançamento demonstra o profundo laço que os moradores de Marabá mantêm com as castanheiras, reconhecendo-as como parte intrínseca de sua história e de seu cotidiano.
“Castanheiras do Asfalto”: Uma década de pesquisa e legado literário
O livro “Castanheiras do Asfalto” é o resultado de dez anos de trabalho árduo de Ulisses Pompeu, que se dedicou a pesquisar, registrar e escrever sobre a árvore emblemática de Marabá. Com 124 páginas ilustradas, a obra traça um panorama desde o passado, quando a castanheira era o pilar da economia marabaense, até o presente, abordando sua importância cultural e ambiental. O lançamento, realizado no pátio da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri) ao lado de uma imponente castanheira de 6,20 metros de circunferência, reforçou a conexão intrínseca entre o livro e seu objeto de estudo.
O autor, com seu jeito bem-humorado, relembrou momentos de sua infância, como a mãe transformando a castanha em leite e misturando-o com a polpa do cupuaçu, um alimento que enchia a barriga e aquecia o coração. Essa memória pessoal sublinha o valor afetivo e nutricional da castanha para as gerações passadas, contextualizando a riqueza cultural que a obra busca preservar.
Memórias e o papel central da castanheira em Marabá
A obra de Ulisses Pompeu vai além de um registro histórico, tornando-se um arcabouço de conhecimento sobre a cidade de Marabá. Segundo o secretário municipal de Agricultura, Marcone Leite, o trabalho é de grande relevância cultural e histórica, pois a história da cidade está intimamente ligada às castanheiras. O livro enfatiza que a árvore monumental sustentava não apenas famílias extrativistas, mas também projetos políticos inteiros, evidenciando seu impacto abrangente na região.
O educador Francisco Xavier, conhecido como Javier de May-ra-bá, relembrou a infância ao lado do autor, em uma época de efervescência dos castanhais, quando barcos carregados desciam os rios nos dias de inverno amazônico. Essas narrativas pessoais enriquecem a compreensão da castanheira como um elemento central na vida e na economia de Marabá, moldando paisagens e destinos.
Vozes pela preservação: O alerta ambiental da obra
Além de seu valor histórico e cultural, “Castanheiras do Asfalto” serve como um importante alerta para a preservação da espécie. A promotora de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Marabá, Josélia Leontina de Barros Lopes, destacou a preocupação com as inúmeras denúncias de desmatamento, muitas delas envolvendo castanheiras. Ela ressaltou a importância de conscientizar a população sobre a beleza e a ameaça que essas árvores enfrentam, algo que Ulisses Pompeu aborda de forma lúdica em seu livro.
A promotora de Justiça Agrária, Alexssandra Muniz Mardegan, corroborou a fala, mencionando a venda ilegal de árvores cortadas por valores irrisórios e a necessidade de despertar a sociedade para a importância da preservação. Para o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o livro é significativo por mostrar que a castanheira, além de alimento, faz parte da cultura do povo e das comunidades tradicionais, servindo como um instrumento para a conscientização ambiental. Mais informações sobre iniciativas de preservação podem ser encontradas em Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Legado e compromisso com o futuro das castanheiras
O lançamento do livro mobilizou a comunidade, reunindo familiares, amigos, admiradores e colegas de trabalho, além de estudantes. Renalúcia de Jesus Dias, uma marabaense de 73 anos, expressou sua emoção e maravilhamento com a obra, que a conectou profundamente à cultura de sua terra natal. A artista plástica Vitória Barros, reconhecida pelo autor como uma grande conhecedora de castanheiras, elogiou a linguagem primorosa e a pesquisa cuidadosa de Ulisses, doando uma de suas obras para o evento.
O livro, portanto, não apenas documenta o passado, mas também instiga um compromisso coletivo com a proteção das castanheiras, transformando os leitores em guardiães de um legado vital para Marabá. A obra de Ulisses Pompeu se consolida como uma ferramenta educativa e um registro da memória desta terra, reforçando a necessidade de preservar essa espécie centenária para as futuras gerações.
Fonte: correiodecarajas.com.br