Milhares de pessoas tomaram as ruas de Madrid neste sábado, 26 de setembro de 2026, na segunda edição da “Marcha pela Dignidade”. Convocada com o apoio de partidos como o PP e o Vox, a manifestação teve como principais objetivos exigir eleições antecipadas e chamar a atenção para a persistente crise migratória em Ceuta, que se arrasta há quase dois meses.
O protesto, que partiu da Praça de Cibeles em direção ao Arco do Triunfo, em Moncloa, foi organizado sob o lema “Pela dignidade e em defesa de Espanha”, reunindo uma diversidade de cidadãos preocupados com a situação política e social do país.
A Marcha pela Dignidade e suas reivindicações políticas
A mobilização em Madrid serviu como plataforma para diversas reivindicações políticas. Entre os participantes, destacou-se a presença de líderes partidários, que aproveitaram a ocasião para reforçar suas críticas à gestão governamental e defender suas propostas para o futuro de Espanha. A marcha representou um momento de união para setores da oposição que buscam uma mudança no cenário político atual.
Críticas à gestão governamental e a crise em Ceuta
O presidente do Vox, Santiago Abascal, marcou presença na manifestação e reiterou a necessidade de que os migrantes que chegaram a Ceuta retornem aos seus países de origem. Abascal criticou abertamente a administração do governo, afirmando que “Ceuta continua invadida porque Sánchez continua a ser o servo de Marrocos, promove-se a invasão migratória”. Ele expressou total desconfiança nas ações do Executivo e lamentou a recusa do PP em apoiar a proposta de acionar o artigo 102 da Constituição para julgar o presidente Pedro Sánchez por traição.
O debate sobre a situação migratória e propostas legislativas
Representantes do PP também se juntaram à marcha, com Juan Bravo, vice-secretário-geral de Finanças, Habitação e Infraestruturas do partido, defendendo a urgência de acelerar as devoluções dos migrantes em Ceuta. Bravo sugeriu que uma alteração legislativa poderia ser implementada em apenas uma semana, permitindo ao governo executar os regressos de forma imediata. Paralelamente, o Vox apresentou uma queixa-crime no Supremo Tribunal contra Sánchez e o ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, por delitos relacionados aos eventos em Ceuta, incluindo “colaboração com o terrorismo”, e buscou apoio parlamentar para a acusação de traição.
Esta não foi a primeira mobilização sobre a crise. Uma marcha anterior, realizada antes da entrada massiva de migrantes no final de julho, reuniu dezenas de milhares de pessoas que também exigiram a demissão de Sánchez e a convocação de eleições antecipadas. Segundo a Delegação do Governo, esse protesto contou com cerca de 40.000 participantes, enquanto os organizadores estimaram 120.000. Em 2 de setembro, Dia oficial de Ceuta, outra mobilização organizada pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias, com a presença de Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal, também levou milhares às ruas.
Desdobramentos e desafios humanitários na cidade autônoma
Quase dois meses após as entradas maciças, a situação em Ceuta permanece crítica. Cerca de 8.300 imigrantes em situação irregular estão alojados em centros na cidade, e estima-se que mais de 4.000 pessoas ainda estejam nas ruas. Em relação aos menores, o governo identificou 2.048 e calcula que entre 700 e 1.000 ainda precisam ser identificados. Marrocos, por sua vez, acusa a Espanha de dificultar a devolução dos migrantes.
Em um encontro em Nova Iorque, os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países, José Manuel Albares e Nasser Bourita, discutiram a questão. O representante marroquino mencionou “obstáculos” e “polêmicas” alimentados pela classe política espanhola que, em sua visão, impedem a resolução da crise. Enquanto isso, as administrações mantêm dispositivos de vigilância e apoio em Ceuta. A Polícia Nacional deteve três cidadãos marroquinos por suposta retenção de duas menores migrantes. No mesmo dia, 63 mulheres, sozinhas ou com filhos, foram realojadas. Os Bombeiros também localizaram um refúgio clandestino em galerias subterrâneas, onde poderiam ter vivido entre 30 e 50 migrantes. A crise já resultou em uma vítima fatal, um jovem marroquino que morreu em um acampamento. Para mais informações sobre a política espanhola, visite a seção de Espanha da Euronews.