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Charles Michel questiona ritmo e prioridades da Comissão Europeia sob Ursula von der Leyen

Charles Michel questiona ritmo e prioridades da Comissão Europeia sob Ursula von der Leyen
Euronews

Em um momento de crescentes desafios para a União Europeia, o ex-presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, expressou fortes críticas à liderança da Comissão Europeia, encabeçada por Ursula von der Leyen. As declarações de Michel, concedidas à Euronews, ocorreram na véspera do aguardado discurso anual sobre o Estado da União, proferido por von der Leyen no Parlamento Europeu.

Michel apontou uma percepção de lentidão e falta de foco na gestão da Comissão, sugerindo que a atual administração não tem respondido com a urgência necessária diante de um cenário geopolítico e econômico complexo. Suas observações ressaltam um debate interno sobre a eficácia e a direção estratégica do bloco comunitário.

Análise crítica à gestão da Comissão Europeia

Charles Michel, que presidiu o Conselho Europeu durante o primeiro mandato de von der Leyen (2019-2024), avalia que a presidente da Comissão tem sido “muito lenta” na tomada de decisões cruciais. Ele argumenta que a União Europeia enfrenta conflitos cada vez mais intensos, uma guerra em solo europeu e uma posição desafiadora em termos de competitividade global, especialmente em relação à China e aos Estados Unidos.

O ex-presidente enfatizou a necessidade de concentrar esforços nas questões centrais, em vez de priorizar a comunicação ou o lançamento de inúmeras iniciativas. Michel destacou que, nos últimos anos, a Comissão teria lançado cerca de 400 iniciativas, mas questionou a ausência de resultados tangíveis e a percepção de falta de urgência por parte dos empresários europeus.

Desafios econômicos e a competitividade europeia

Um dos pontos centrais da crítica de Michel reside na competitividade da UE, que ele considera a principal prioridade do bloco atualmente. Ele levantou questões fundamentais sobre se a União Europeia é um local mais atraente para investir e inovar, sugerindo que o excesso de regulamentação tem sido um obstáculo.

Michel lamentou a falta de progresso significativo em áreas como a união dos mercados de capitais, um pilar essencial para fortalecer a competitividade do bloco. A fragmentação dos mercados financeiros dentro da UE, segundo ele, torna o continente mais fraco no contexto global atual, mesmo reconhecendo que a responsabilidade não recai inteiramente sobre von der Leyen, mas que ela possui uma parcela de culpa pela lentidão nas decisões.

Relações externas e a soberania europeia

A forma como a Comissão Europeia lidou com os Estados Unidos durante a presidência de Donald Trump também foi alvo de críticas por parte de Charles Michel. Ele mencionou o “Acordo de Turnberry”, um pacto comercial UE-EUA, que alguns eurodeputados consideraram desequilibrado e prejudicial aos interesses europeus.

Michel expressou a impressão de que a Comissão “decidiu seguir os Estados Unidos cegamente”, mesmo quando isso ia contra os interesses fundamentais da União Europeia. Ele classificou essa abordagem como uma “certa ingenuidade” e lamentou o tempo perdido na construção de uma soberania e independência europeias, temas que, segundo ele, von der Leyen só começou a abordar mais recentemente.

Perspectivas futuras e a necessidade de um ‘reset’

Apesar das críticas, Charles Michel mantém um tom otimista, afirmando que “não há Plano B” para o projeto europeu. Ele acredita que, com o tempo, haverá uma compreensão mais clara da necessidade de agir e de realizar um “reset” no projeto da União Europeia.

Para Michel, este “reset” deve focar nas questões centrais: apoio às empresas, desenvolvimento econômico, simplificação da vida dos empresários, uma regulação mais inteligente e mais investimentos. Ele enfatiza que esses elementos são essenciais para o futuro do bloco. Acesse o site oficial da Comissão Europeia para mais informações sobre suas iniciativas.

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