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Demanda por minerais críticos pressiona expansão da rede elétrica brasileira

Demanda por minerais críticos pressiona expansão da rede elétrica brasileira
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A crescente corrida pelos chamados minerais críticos no Brasil colocou o setor de mineração em uma disputa estratégica por espaço na infraestrutura de energia. Projetos de extração e beneficiamento, essenciais para a transição energética global, enfrentam agora o desafio de conectar suas plantas à rede elétrica nacional, competindo por capacidade de carga com outros setores de alto consumo, como o de data centers.

Especialistas apontam que, embora a escala de consumo de cada projeto minerário possa ser inferior à de grandes centros de dados, a capilaridade e a localização remota das minas criam gargalos logísticos e técnicos significativos. A necessidade de garantir suprimento confiável para o processamento de insumos dentro do território nacional é um dos pilares do novo marco legal do setor, que busca agregar valor à matéria-prima antes da exportação.

Concorrência por infraestrutura e impactos tarifários

O acesso à rede elétrica divide os empreendimentos entre a conexão direta às transmissoras e a ligação via distribuidoras regionais. Segundo Edvaldo Santana, diretor-executivo da consultoria NEAL e ex-diretor da ANEEL, a opção pelas distribuidoras pode gerar distorções econômicas. Quando a expansão da rede local é financiada pelas concessionárias, o custo acaba sendo repassado às tarifas, o que pode sobrecarregar consumidores locais em regiões onde os projetos estão concentrados.

Em contrapartida, projetos que se conectam diretamente à rede básica de transmissão diluem os custos de infraestrutura entre todos os usuários do sistema nacional. Essa diferenciação de modelo de conexão torna-se um fator determinante para a viabilidade financeira de grandes plantas de processamento, que exigem estabilidade e custos competitivos para viabilizar a produção de minerais críticos em larga escala.

Desafios logísticos em áreas remotas

A viabilidade dos empreendimentos está intrinsecamente ligada à infraestrutura disponível. Marisa Cesar, presidente do conselho da AMC (Associação de Minerais Críticos), destaca que a distância dos pontos de conexão obriga empresas a realizar aportes financeiros elevados em linhas de transmissão próprias. Em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia e Pará, o gargalo já é uma realidade concreta para diversas mineradoras.

A mineradora Graphcoa, por exemplo, lida com um obstáculo logístico em Jordânia, Minas Gerais, onde a planta está a 40 quilômetros do ponto de conexão mais próximo. Situação similar ocorre com o grupo Aclara Resources em Nova Roma, Goiás, que planeja a construção de uma linha de transmissão de 230 kV com cerca de 100 quilômetros de extensão para atender ao Projeto Carina. Em casos extremos no Vale do Jequitinhonha, atrasos na ampliação da rede pela concessionária Cemig forçaram empresas a recorrer à locação de geradores temporários.

Estratégias de suprimento e mercado livre

Projetos localizados próximos a polos industriais consolidados têm encontrado caminhos mais ágeis para a operação. Em Poços de Caldas, o Projeto Caldeira obteve acesso à rede sem entraves significativos, enquanto na Bahia, a BRE (Brazilian Rare Earths) aproveitou a infraestrutura existente no Polo Industrial de Camaçari para atender suas plantas hidrometalúrgicas.

A migração para o mercado livre de energia tem sido uma estratégia central para garantir flexibilidade. A Serra Verde, em Minaçu, Goiás, optou por contratos de longo prazo com conexão direta à rede básica, aproveitando a proximidade com usinas hidrelétricas para assegurar o suprimento. Pablo Cesário, diretor-presidente do Ibram, reforça que o desafio tende a crescer, uma vez que o avanço das etapas de refino e beneficiamento eleva exponencialmente a demanda energética das plantas.

Fonte: agenciainfra.com

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