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Grécia condiciona diálogo com Turquia ao fim de ameaças, afirma Mitsotakis na ONU

Grécia condiciona diálogo com Turquia ao fim de ameaças, afirma Mitsotakis na ONU
ARQUIVO: Papa Leão XIV chega à Praça de São Pedro, no Vaticano, para a audiência geral semanal, 23 de setembro de 2026

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, utilizou a plataforma da Assembleia Geral das Nações Unidas para enviar uma mensagem clara à Turquia, enfatizando que um progresso real nas relações bilaterais é inviável enquanto persistirem ameaças de guerra. Em seu discurso, o líder grego também abordou a necessidade de regulamentação rigorosa para a inteligência artificial, a complexa questão cipriota e defendeu o fortalecimento do multilateralismo e o respeito ao direito internacional em meio a crescentes conflitos globais.

A intervenção de Mitsotakis ocorre em um período crucial, com a Grécia nos meses finais de seu mandato de dois anos no Conselho de Segurança da ONU e se preparando para assumir a presidência do órgão em outubro. O chefe de governo alertou para a proliferação de conflitos e o aprofundamento das tensões em diversas regiões do mundo.

Relações com a Turquia: Diálogo sob Condição

Ao discutir as relações entre a Grécia e a Turquia, o primeiro-ministro destacou os esforços empreendidos nos últimos três anos para restabelecer a confiança mútua e manter abertos os canais de comunicação. Ele ressaltou a inevitabilidade da coexistência geográfica entre os dois países, afirmando que “não podemos, afinal, como tenho repetido, mudar a geografia. Está no nosso destino vivermos lado a lado”.

Mitsotakis reiterou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar é o único arcabouço institucional capaz de resolver a divergência reconhecida por Atenas: a delimitação da plataforma continental e das Zonas Econômicas Exclusivas. O líder grego foi enfático ao declarar que, embora o diálogo seja indispensável para a paz e a prosperidade, não pode haver avanços substanciais se houver “ameaças de guerra como resposta ao exercício de direitos legais, em conformidade com o direito internacional”.

A Questão Cipriota e a Credibilidade da ONU

A questão cipriota foi apresentada por Kyriakos Mitsotakis como um “teste decisivo” para a credibilidade das Nações Unidas. Ele lembrou que, 52 anos após a invasão turca e a subsequente ocupação de parte da ilha, Chipre continua a ser um desafio à capacidade da ONU de cumprir suas próprias resoluções e os princípios de sua Carta.

O primeiro-ministro grego expressou o apoio irrestrito de seu país aos esforços do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, para relançar negociações substanciais. O objetivo é a reunificação de Chipre sem a presença de forças de ocupação. A questão cipriota, juntamente com a situação na Ucrânia, a evolução regional e o conflito no Médio Oriente, foi tema de uma reunião entre Mitsotakis e Guterres na quinta-feira, dia 24 de setembro, em Nova Iorque.

Prioridades da Grécia no Conselho de Segurança e Desafios Globais

A proteção da marinha mercante foi apontada como uma das prioridades da presidência grega no Conselho de Segurança. Mitsotakis alertou que a ameaça sistemática à liberdade de navegação e a falta de proteção das rotas marítimas vitais podem levar a economia mundial a uma paralisação. O primeiro-ministro também apresentou planos para fortalecer as ligações energéticas, mencionando o projeto GREGY, que visa transportar eletricidade do Egito para a Europa, e o Great Sea Interconnector, que conectará Chipre e Israel às redes europeias.

Sobre a situação em Gaza, o líder grego defendeu a aplicação efetiva do plano de paz acordado no ano anterior e insistiu na necessidade de desarmar o Hamas, afirmando que o grupo “não pode ter qualquer papel — repito: nenhum papel — no futuro de Gaza”. Ele sublinhou que a responsabilidade pelo futuro do território deve ser dos próprios palestinianos. A Grécia reafirmou seu apoio à solução de dois Estados e manifestou preocupação com ações na Cisjordânia que violam o direito internacional. Outros pontos abordados incluíram a necessidade de reforçar o Líbano, proteger comunidades religiosas e étnicas na Síria e alcançar um acordo para a delimitação das zonas marítimas entre a Grécia e a Líbia. Em relação à Ucrânia, Mitsotakis apelou a um cessar-fogo imediato e à paz, baseada na Carta das Nações Unidas.

Apelo por Regulamentação da Inteligência Artificial

Em um ponto distinto de seu discurso, Kyriakos Mitsotakis apelou aos Estados Unidos da América para que implementem uma regulamentação mais rigorosa sobre a inteligência artificial. Esta solicitação reflete a crescente preocupação global com os desafios éticos e sociais impostos pelo avanço rápido das novas tecnologias, buscando garantir um desenvolvimento responsável e seguro.

Para mais informações sobre a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, visite o site oficial da ONU.

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