Mosqueiro, a ilha paradisíaca do Pará, celebra hoje, 6 de julho, seus 131 anos de existência. Para muitos moradores de Belém e visitantes, a ilha representa um refúgio de memórias afetivas, desde as praias de água doce e o agito dos meses de julho, até a calmaria bucólica dos pores-do-sol e a brisa do rio. Mais do que um destino turístico, Mosqueiro é um lar vibrante, moldado pela dedicação de sua gente.
A história da ilha é tecida por uma comunidade trabalhadora, composta por vendedores, feirantes, pescadores, cozinheiros, empresários e estudantes, que diariamente contribuem para a riqueza cultural e econômica do local. Este artigo mergulha nas narrativas de alguns desses personagens, revelando a essência de Mosqueiro através dos olhos de quem vive e constrói seu legado ali.
A vida empreendedora na Praia do Farol: Felipe da Paz e o legado familiar
Felipe da Paz, empreendedor e proprietário do restaurante Samambaia Beach na Praia do Farol, representa a terceira geração de barraqueiros em Mosqueiro. Sua família foi uma das pioneiras na Ponte do Cajueiro, no bairro Carananduba, com a avó iniciando o negócio há mais de 40 anos na praia do Chapéu Virado. Felipe, que nasceu na ilha e sempre ajudou a avó nas temporadas de alta, assumiu o legado familiar com orgulho.
O empreendedor destaca a culinária local e a paisagem como pilares do cotidiano da ilha. Apesar da movimentação do negócio estar ligada à praia, Felipe valoriza a natureza e a tranquilidade que Mosqueiro oferece. Ele menciona a diversidade de praias, da Baía do Sol ao Areião, como locais de beleza singular, proporcionando uma qualidade de vida apreciada por seus moradores. Para Felipe, viver em Mosqueiro é um verdadeiro presente, e seu desejo é que todos cuidem da ilha para que ela se mantenha sempre bela e agradável.
A tradição da tapioca: Lulu Ketleyn e a culinária de Mosqueiro
A Tapiocaria da Vila, em frente ao Mercado Municipal, é um ponto de encontro tradicional em Mosqueiro, onde Lulu Ketleyn mantém vivo o legado de sua mãe, “Neném”, e de sua avó, a finada Biló, uma das primeiras tapioqueiras da ilha. Lulu, que aprendeu o ofício desde cedo, teve o Box da Neném premiado cinco vezes como a melhor tapioca de Mosqueiro.
Além de sua dedicação à tapiocaria, Lulu Ketleyn nutre uma paixão pelas manifestações culturais da ilha, especialmente o Carnaval. Ela já foi rainha de bateria por sete anos da escola Universidade Peles Vermelha e participou de diversos concursos de beleza, como Rainha dos Cabeleireiros Gays e Miss Mosqueiro. Nascida e criada na ilha, Lulu descreve sua infância como “sadia” e hoje se dedica a preservar o nome de sua mãe, oferecendo produtos feitos com amor e carinho aos clientes e visitantes. Ela defende que a tapiocaria é um dos principais atrativos de Mosqueiro, sendo uma parada obrigatória para quem visita a ilha, seja pela manhã, tarde ou noite.
A pesca artesanal e a essência ribeirinha: Paulinho Silas em Mosqueiro
Paulo Silas, carinhosamente conhecido como Paulinho, é um pescador artesanal que aprendeu o ofício com seu pai e avô. Sua família, de origem ribeirinha, tem raízes profundas na ilha de Mosqueiro, onde ele sempre viveu. Paulinho relembra sua infância passada à beira do rio, pescando e absorvendo os conhecimentos transmitidos por gerações.
A vida de Paulinho é intrinsecamente ligada ao rio e à pesca, uma atividade que sustenta sua família e mantém viva uma tradição ancestral. Ele representa a essência da comunidade ribeirinha de Mosqueiro, que vive em harmonia com a natureza e valoriza os recursos hídricos da região. A continuidade de seu trabalho assegura que a cultura da pesca artesanal permaneça como um pilar fundamental da identidade da ilha.
A memória quilombola: Tia Querida e a paz da comunidade
Tia Querida, a quilombola mais antiga de Mosqueiro, com seus 96 anos, é um testemunho vivo da história e da resiliência da ilha. Ela representa a memória e a ancestralidade das comunidades quilombolas locais, que preservam suas tradições e seu modo de vida em conexão profunda com a terra e o rio. Sua presença é um símbolo da riqueza cultural e da diversidade humana que compõem o mosaico de Mosqueiro.
Aos 96 anos, Tia Querida exalta a natureza exuberante e a serenidade de sua comunidade, reforçando a importância da paz e da harmonia com o ambiente. Sua perspectiva oferece um olhar valioso sobre a longevidade e a sabedoria transmitida através das gerações, destacando a beleza de uma vida simples e conectada às raízes.
As histórias de Felipe da Paz, Lulu Ketleyn, Paulinho Silas e Tia Querida são apenas alguns dos muitos fios que tecem a rica tapeçaria de Mosqueiro. Cada um, à sua maneira, contribui para a identidade e o encanto da ilha, seja através do empreendedorismo, da culinária tradicional, da pesca artesanal ou da preservação da memória quilombola. Ao celebrar seus 131 anos, Mosqueiro reafirma-se não apenas como um destino de beleza natural, mas como um lugar onde a história é vivida e contada diariamente por seu povo. A paixão e o cuidado de seus moradores são o verdadeiro presente que mantém a ilha vibrante e acolhedora para todos que a visitam ou a chamam de lar. Para mais informações sobre o turismo no Pará, visite o site oficial de turismo do estado.
Fonte: aprovinciadopara.com.br