A Motiva, operadora de infraestrutura, anuncia uma significativa mudança em sua estratégia de negócios, direcionando seu foco para concessões rodoviárias de perfil regional e a negociação de aditivos em contratos já existentes. Essa reorientação ocorre após o leilão do contrato repactuado da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), que marcou, segundo a companhia, o encerramento de uma fase de projetos no mercado primário.
Apesar de ter participado da disputa pela concessão da Régis Bittencourt, atualmente administrada pela Arteris, a proposta da Motiva ficou abaixo da vencedora, apresentada pela EPR. Em teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, realizada nesta quinta-feira (30), o presidente da Motiva, Miguel Setas, detalhou a nova visão da empresa para o médio e longo prazo, que inclui um pipeline de oportunidades no mercado secundário e a ampliação de contratos atuais.
Motiva direciona investimentos para concessões rodoviárias regionais
A Motiva passa a observar um horizonte de oportunidades que se estende além dos próximos três a seis meses, incorporando ao seu planejamento até 2035 um conjunto de concessões vincendas com uma abordagem mais regional. Miguel Setas enfatizou que o pipeline rodoviário permanece robusto e promissor, embora com um perfil distinto de projetos em comparação com o passado recente.
A companhia busca ativamente por oportunidades no mercado secundário, onde a aquisição de concessões já em operação pode oferecer sinergias e um menor risco de implantação. Embora o executivo não tenha especificado quais concessões regionais estão sob análise, a intenção é clara: consolidar a presença da Motiva em mercados específicos, aproveitando a expertise acumulada.
Aditivos contratuais como alavanca de crescimento
A negociação de aditivos em contratos atuais foi classificada pela Motiva como uma prioridade para o segundo semestre deste ano. Entre os casos mais relevantes em valor, a empresa destaca as tratativas envolvendo a AutoBAn, a SPVias e as linhas 5 do metrô e 17 do monotrilho em São Paulo. O vice-presidente financeiro, Rodrigo Araújo, ressaltou que a conclusão dessas negociações depende da velocidade do poder concedente.
Miguel Setas complementou que os aditivos nos ativos existentes proporcionam condições de rentabilidade superiores às encontradas em certames competitivos. Ele citou como exemplo o aditivo assinado no último mês para a linha 4 do metrô paulistano, que já está em execução e prevê obras de extensão por cerca de mais três quilômetros, com a adição de duas estações. Esses aditivos são vistos como cruciais para o crescimento e a valorização do portfólio da empresa.
Na concessão da Fernão Dias (BR-381/SP/MG), a Motiva também vislumbra oportunidades para novos investimentos e uma potencial ampliação do prazo atual de 15 anos. Rodrigo Araújo explicou que essa possibilidade de extensão não foi inicialmente considerada na análise de retorno do projeto, sendo tratada como um upside. Ele, contudo, esclareceu que não há uma iniciativa específica nesse sentido para o curto prazo, mas a empresa mantém o monitoramento constante.
Desafios regulatórios no trecho do Morro dos Cavalos
Ainda durante a teleconferência, Miguel Setas abordou a situação do trecho do Morro dos Cavalos na Via Costeira (BR-101/SC). A eventual inclusão desse segmento na concessão da Motiva depende de negociações regulatórias em andamento com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e o Ministério dos Transportes, buscando uma solução definitiva.
O processo segue a linha das tratativas de repactuação da Litoral Sul na SecexConsenso, do TCU (Tribunal de Contas da União), que, apesar de não ter chegado a um consenso, levou o governo a prosseguir com o plano de reestruturar o contrato da Arteris. Esse plano inclui a retirada do Morro dos Cavalos e do chamado Eixão dessa concessão para repasse à Motiva. Setas afirmou que o processo tem evoluído, mas ainda sem um timing definitivo, mantendo a perspectiva de inclusão como positiva para o perfil da rodovia.
Investimento em eficiência operacional e tecnologia
A Motiva também está focada na modernização de seus sistemas de gestão de Capex (investimento), com o reforço das equipes de engenharia, a incorporação de novos profissionais e uma estrutura de governança com múltiplas camadas de análise. Rodrigo Araújo destacou o valor da independência e do desafio criados por essas vantagens competitivas.
A empresa investe em processos, tecnologia e na ampliação de sua base de dados para aumentar a assertividade das decisões e desenvolver soluções inovadoras. O potencial de uso de inteligência artificial e de dados nesses processos é considerado muito grande. No que tange ao Opex (despesas operacionais), a escala da operação da Motiva é apontada como uma fonte natural de eficiência, permitindo a disseminação de soluções diferenciadas e maior poder de barganha na negociação de contratos. A estratégia geográfica de seus ativos, com certo nível de concentração e lógica, também contribui para esses benefícios.
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Fonte: agenciainfra.com