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MPF exige suspensão de obras de dragagem no Rio Tapajós por falta de licenciamento

Claire Fazio/Canva Tags destaque em Santarém MPF recomenda suspensão de dragagem no Rio Tapajós (PA) WEB-BANNERS-POSTÃO_
Claire Fazio/Canva Tags destaque em Santarém MPF recomenda suspensão de dragagem no Rio Tapajós (PA) WEB-BANNERS-POSTÃO_

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação formal para interromper imediatamente as atividades de dragagem no Rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Itaituba, no Pará. A medida visa barrar intervenções iniciadas sem o devido licenciamento ambiental e sem a realização da Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) aos povos indígenas e comunidades tradicionais da região, conforme determina a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A ação do órgão ministerial ocorre após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) tentarem viabilizar a obra sob o regime de dispensa de licenciamento. O projeto prevê a remoção de mais de 4,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos ao longo de 280 km, uma escala que o MPF classifica como dragagem de ampliação, e não de manutenção, exigindo rigorosos estudos de impacto.

Riscos ambientais e violações de direitos territoriais

A falta de estudos adequados, conforme apontado por nota técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), coloca em risco severo o ecossistema local. Entre os perigos identificados estão a possível remobilização de mercúrio depositado no leito do rio e o soterramento de áreas de desova no Tabuleiro do Monte Cristo, um berçário natural para espécies ameaçadas de extinção.

Além dos danos biológicos, o processo ignora pelo menos 18 Protocolos Próprios de CPLI estabelecidos por povos da região. O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia determinado anteriormente que qualquer avanço nas licitações do Dnit deveria ser condicionado à obtenção de licença prévia e ao diálogo efetivo com as populações impactadas, garantindo o direito à autodeterminação dessas comunidades.

Exigências para Semas, Dnit e Marinha

O MPF estabeleceu diretrizes claras para os órgãos envolvidos. À Semas, foi recomendado que revogue a dispensa automática de licenciamento e exija análises científicas sobre ecotoxicologia e dispersão de sedimentos. A secretaria deve liderar a consulta prévia em conjunto com órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Ao Dnit, o órgão proibiu o início de qualquer execução de obra baseada em dispensas e vetou a realização de reuniões que simulem o processo oficial de consulta. A Marinha do Brasil, por sua vez, deve suspender vistorias e aprovações de canais de navegação ou áreas de descarte de sedimentos nos sete pontos críticos identificados, incluindo locais como Amorim, Barranco do Navio e Santarenzinho. O descumprimento das orientações pode resultar em ações judiciais contra os agentes públicos responsáveis, conforme detalhado no Inquérito Civil nº 1.23.002.000140/2026-55.

Fonte: aprovinciadopara.com.br

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