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Musculação combate danos hepáticos causados pela obesidade segundo estudo

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A prática regular de musculação vai muito além do ganho de massa muscular e estética. Um estudo recente, desenvolvido na Unicamp e publicado na revista Life Sciences, revela que o treinamento de força possui a capacidade de reprogramar células hepáticas, revertendo danos causados pelo acúmulo de gordura no fígado. A pesquisa, que contou com apoio da FAPESP, oferece uma nova perspectiva sobre como o exercício físico atua na modulação do genoma para combater a doença hepática esteatótica.

musculação: cenário e impactos

O trabalho investigou a relação entre o esforço muscular e a saúde do fígado, focando no impacto da obesidade sobre o DNA. Ao analisar o metabolismo em nível molecular, os cientistas buscaram entender como o treinamento consegue proteger o organismo contra as agressões metabólicas que também estão associadas ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Mecanismos moleculares e a reprogramação do fígado

A pesquisa utilizou modelos experimentais para observar como o treinamento de força induz uma reprogramação molecular no órgão. O foco central foi a epigenética, área que estuda como fatores externos, como a atividade física, alteram o funcionamento dos genes sem modificar o código genético original. Um dos processos analisados foi a metilação do DNA, uma marcação química que atua como um interruptor, tornando genes menos acessíveis para as enzimas celulares.

Após oito semanas de treinamento, os cientistas notaram alterações significativas na metilação do gene MTCH2, responsável pelo processamento de energia. Em indivíduos obesos, o fígado opera em um ambiente tóxico, onde o excesso de gordura prejudica as mitocôndrias, as usinas de energia das células. Esse estresse crônico desregula o gene, acelerando a progressão de doenças hepáticas e a formação de fibrose, que substitui o tecido saudável por cicatrizes.

Recuperação da sensibilidade à insulina

Um dos achados mais relevantes do estudo diz respeito à regulação da glicemia. O fígado desempenha um papel vital no armazenamento e liberação de açúcar no sangue, processo que depende da sinalização da insulina. Quando o órgão está sobrecarregado por gordura, ele desenvolve resistência a esse hormônio, perdendo a capacidade de interromper a liberação de glicose de forma adequada.

Os resultados demonstraram que o treinamento de força foi eficaz em restaurar a sensibilidade à insulina nos modelos estudados. Além disso, a prática física inibiu enzimas ligadas à fibrose e ao crescimento celular desordenado, enquanto estimulou a produção de proteínas essenciais para a geração de energia mitocondrial. Esse conjunto de fatores permite que o fígado saia do estado de emergência metabólica, devolvendo ao órgão sua capacidade funcional plena.

Fonte: correiodecarajas.com.br

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