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Fim da trégua com Irã por Trump eleva petróleo e derruba bolsas da Europa.

AP Photo/Michael Probst
AP Photo/Michael Probst

A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim do cessar-fogo provisório com o Irã, desencadeou uma onda de volatilidade nos mercados financeiros globais. A notícia, que reacende temores de um confronto militar na região, provocou uma disparada nos preços do petróleo e quedas acentuadas nas principais bolsas de valores da Europa e nos futuros dos Estados Unidos. Investidores reagem com cautela à escalada das tensões geopolíticas, buscando refúgios e reavaliando o cenário econômico global.

A decisão de Washington de revogar uma derrogação que permitia ao Irã retomar as exportações de petróleo, somada a ataques aéreos a alvos iranianos, intensifica a incerteza sobre o fornecimento de energia e o futuro das relações internacionais. Este cenário de instabilidade se soma a preocupações já existentes sobre a supervalorização de ações ligadas à inteligência artificial, criando um ambiente de alta pressão para os mercados.

Escalada Geopolítica Impulsiona Preços do Petróleo

O anúncio de Donald Trump, feito durante a cúpula da OTAN em Ancara, marcou o fim do memorando de entendimento com o Irã. O presidente afirmou a jornalistas, segundo a Reuters: “Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles”, sinalizando uma postura mais rígida dos EUA. Essa declaração foi rapidamente seguida por ações militares.

O Comando Central dos EUA informou ter atingido mais de 80 alvos no Irã, incluindo redes de comando e controlo, instalações de radar costeiro, capacidades de mísseis antinavio e navios operados pelos Guardas da Revolução Islâmica (IRGC). Em resposta a essa escalada, os preços do petróleo bruto dispararam. O contrato de primeira maturidade do Brent, referência internacional, subiu mais de 6%, atingindo 78,79 dólares por barril, enquanto o petróleo de referência nos EUA avançou 6,3%, para 74,88 dólares por barril.

As ações de grandes empresas petrolíferas também registraram ganhos significativos. A Shell liderou com um aumento de 5%, enquanto BP, Chevron e ExxonMobil avançaram mais de 3% nas primeiras horas de negociação. Essa valorização reflete a expectativa de menor oferta e maior demanda em um cenário de conflito.

Repercussões nas Bolsas Europeias e Asiáticas

A instabilidade geopolítica rapidamente se traduziu em perdas nos mercados de ações. Na Europa, o índice DAX da Alemanha registrou uma queda superior a 2,2%, enquanto o FTSE 100 em Londres recuou 1,5% e o CAC 40 francês caiu mais de 2%. Os futuros das ações nos EUA também indicaram um dia de baixa, recuando mais de 1% no mesmo período.

Os mercados asiáticos apresentaram um panorama misto, mas com predominância de quedas. O Nikkei 225 de Tóquio desceu 2,1%, e o Kospi da Coreia do Sul cedeu 5,4%. Por outro lado, o Taiex de Taiwan subiu 0,6%, e o Hang Seng de Hong Kong ganhou 3%, em um movimento que pode indicar uma busca por oportunidades em meio à volatilidade.

Volatilidade no Setor de Tecnologia e Preocupações com IA

A recente escalada geopolítica adiciona uma camada de complexidade a um mercado já preocupado com a euforia em torno das ações ligadas à inteligência artificial. Analistas apontam que as cotações podem ter superado os ganhos de produtividade e lucros esperados dos investimentos em chips e centros de dados. Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote, observou que “as notícias de cariz geopolítico deverão determinar o sentimento dos mercados nas próximas horas. Um agravamento da situação poderá pressionar ainda mais as avaliações bolsistas, a par de um aumento das tensões no setor tecnológico”.

A montanha-russa das ações de tecnologia continuou, arrastando Wall Street para baixo. O S&P 500 caiu 0,4%, o Nasdaq Composite recuou 1,2% e o Dow Jones Industrial Average desvalorizou 0,2%. Empresas como Advanced Micro Devices (-6,5%), Intel (-9,7%) e Micron Technology (-4,7%) registraram perdas significativas. A SpaceX, que detém o negócio xAI, também caiu 6,8% em seu primeiro dia de negociação no índice Nasdaq-100, em meio a especulações sobre um “rebalancing” de índices. A Rivian Automotive deslizou 18,1% após anunciar a venda de 75 milhões de ações, diluindo a participação dos acionistas atuais.

Movimentações no Mercado Cambial e de Metais Preciosos

A incerteza global também se refletiu no mercado cambial e de commodities. O dólar dos EUA valorizou em relação ao iene japonês, subindo para 162,26 ienes. O euro, por sua vez, avançou frente ao dólar, atingindo 1,1426 dólares. Essas movimentações indicam uma busca por moedas consideradas mais seguras em momentos de crise.

No mercado de metais preciosos, o ouro desvalorizou cerca de 1,5%, aproximando-se de 4.050 dólares, enquanto a prata caiu aproximadamente 2,5%, para 58 dólares. A queda nesses ativos, tradicionalmente vistos como refúgios, pode ser atribuída a uma liquidação para cobrir perdas em outros segmentos ou a uma reavaliação dos riscos pelos investidores.

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